Após a prisão de Lucas Ribeiro Leitão, suspeito de planejar ataques em Brasília no último dia 29, autoridades voltaram a debater o atentado ocorrido em novembro em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou na morte de Francisco Wanderley Luiz. Segundo servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o ataque poderia ter sido evitado caso a agência tivesse mantido acesso em tempo real às câmeras da Esplanada dos Ministérios. Esse convênio, entretanto, foi encerrado em julho de 2024 pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), ainda durante a fase de testes.
A ABDI, questionada, não explicou o motivo do cancelamento, informando apenas que a gestão do projeto foi transferida para a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Essa secretaria, por sua vez, enfrenta investigações no STF por suposta omissão durante os atos golpistas de 8 de janeiro e teve sua cúpula presa no ano passado.
O episódio de novembro envolveu explosões em frente ao STF e à Câmara dos Deputados, planejadas por Francisco Wanderley Luiz. Antes de cometer o ataque, Francisco publicou ameaças nas redes sociais, alugou um apartamento no Distrito Federal e circulou com seu carro por Brasília durante quatro meses. Ele conseguiu armazenar explosivos em seu veículo e se aproximar da Praça dos Três Poderes, local onde morreu após detonar os artefatos.
Desde o governo Bolsonaro, em 2022, a Abin vinha testando o uso de câmeras de alta resolução na Esplanada dos Ministérios. A instalação dos equipamentos foi autorizada pelos ministérios envolvidos no projeto. Servidores da Abin argumentam que a continuidade do acesso a essas imagens aumentaria a capacidade do governo de impedir ataques como o de novembro.
O recente caso envolvendo Lucas Leitão reforça a importância da vigilância. No sábado, 28 de dezembro, a Polícia Civil do Distrito Federal recebeu denúncias anônimas de que Leitão, um corretor de imóveis, planejava viajar a Brasília para cometer atentados. Ele foi monitorado pela corporação até ser preso em um caminhão na Bahia, no dia seguinte. Essa operação foi vista como um exemplo de sucesso na prevenção de tragédias, mas também como uma oportunidade perdida de maior eficiência caso o acesso às câmeras ainda estivesse ativo.
A ABDI, responsável pelo projeto desde 2022, declarou que atualmente colabora com a Secretaria de Segurança Pública do DF para testes com tecnologias de vigilância na Esplanada. Apesar das críticas dos servidores da Abin, a agência não respondeu aos questionamentos sobre o impacto do cancelamento do convênio.
O caso reacende o debate sobre as falhas no monitoramento de áreas estratégicas da capital federal e os riscos que elas representam para a segurança nacional.
Foto: Divulgação/PCDF

