Rogério Magno Almeida Medeiros, agente da Polícia Federal, foi preso na segunda-feira, 23, durante a segunda fase da Operação Overclean, que investiga desvios de emendas parlamentares. O Ministério Público Federal aponta que ele atuava como “informante” do esquema, sendo responsável pelo vazamento de informações sigilosas de interesse do grupo criminoso. A prisão foi decretada pela juíza Dayana Bião de Souza Muniz, da 2.ª Vara Federal Criminal de Salvador, que destacou o risco de interferências no andamento das investigações.
Os advogados Sérgio Habib e Thales Habib, representantes do agente, afirmaram que ele possui uma trajetória “exemplar” e que provará sua inocência. Segundo a defesa, os indícios apresentados são “informações inverídicas” que serão contestadas durante a instrução criminal.
Mensagens trocadas entre Rogério Magno e Alex Rezende Parente, empresário apontado como líder do esquema e preso na primeira fase da Operação Overclean, colocaram o agente no centro da investigação. Em uma das conversas, o agente federal questiona o empresário sobre a “previsão para o café”. Além disso, um vídeo enviado pelo empresário a Rogério Magno, mostrando um policial federal à paisana próximo ao endereço de Lucas Maciel Lobão Vieira, ex-coordenador do DNOCS, chamou a atenção dos investigadores. Após o envio do vídeo, foram registrados contatos telefônicos entre o agente e o empresário.
A declaração de Lucas Lobão, preso na primeira fase da operação, também levantou suspeitas. Ele afirmou que um policial federal esteve em diligência velada em sua residência, sem se identificar. A juíza destacou em sua decisão que tal informação só poderia ter sido obtida por vazamento, já que a operação era sigilosa.
Rogério Magno possui um histórico polêmico. Ele já foi superintendente de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) durante os governos de Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT), mas foi exonerado após ser implicado na Operação Faroeste, que investiga a venda de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia.
Além do agente da PF, outros nomes foram detidos na segunda fase da Operação Overclean. Entre eles estão o vice-prefeito de Lauro de Freitas, Vidigal Cafezeiro (Republicanos), o ex-prefeito de Santa Cruz da Vitória, Carlos André de Brito Coelho, e o secretário de Mobilidade Urbana de Vitória da Conquista, Lucas Moreira Martins Dias.
A prisão de Rogério Magno reforça a complexidade do esquema investigado, que envolve desvios de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. A Operação Overclean segue avançando na identificação e responsabilização dos envolvidos.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

