O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, manteve a agenda pública esvaziada nesta quinta-feira, limitando-se a despachos internos no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Segundo sua assessoria pessoal, não houve compromissos externos nem participação em eventos oficiais ao longo do dia, decisão que ocorreu após o cancelamento de uma viagem a Brasília.
Tarcísio tinha visita marcada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade conhecida como Papudinha. O encontro havia sido confirmado pelo próprio governador na terça-feira, mas foi desmarcado poucas horas depois. A justificativa oficial apresentada foi a existência de compromissos previamente agendados em São Paulo, o que motivou a permanência do governador no estado.
Nos bastidores, porém, o cancelamento foi interpretado como reflexo de tensões políticas recentes no campo bolsonarista. Segundo o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e indicado por ele como pré-candidato à Presidência, a conversa teria como objetivo reforçar que a reeleição de Tarcísio ao governo paulista seria prioridade estratégica. A avaliação teria causado incômodo no governador, que ainda mantém expectativa de disputar o Palácio do Planalto em um cenário futuro.
Interlocutores próximos afirmam que Tarcísio se irritou com a pressão do entorno bolsonarista para que assumisse, de imediato, um engajamento mais explícito na pré-candidatura de Flávio. Embora o governador já tenha declarado apoio ao senador, aliados ressaltam que ele defende fazê-lo apenas “no momento adequado”, evitando movimentos precipitados que possam limitar suas opções políticas.
A orientação interna do governador tem sido preservar margem de manobra e evitar gestos que possam ser interpretados como alinhamento definitivo. A estratégia é adiar qualquer definição mais clara sobre o grau de envolvimento na eleição presidencial ao menos até abril, quando o cenário político poderá estar mais estabilizado.
A visita a Bolsonaro havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Seria o primeiro encontro presencial entre os dois após a prisão do ex-presidente, no fim de novembro, e também a primeira conversa desde a indicação de Flávio Bolsonaro como pré-candidato ao Planalto.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

