Um ataque israelense bloqueou a principal ligação terrestre entre o Líbano e a Síria, usada por milhares de pessoas tentando escapar dos confrontos entre Israel e o Hezbollah, além dos bombardeios concentrados em Beirute. A estrada, considerada uma linha de suprimentos para o Hezbollah, foi atingida por explosivos israelenses, segundo os militares. O governo libanês informou que os bombardeios mataram mais de 2 mil pessoas nas últimas semanas, incluindo crianças e mulheres.
O ministro dos Transportes do Líbano, Ali Hamieh, informou que o ataque deixou uma cratera de quatro metros de diâmetro perto do posto de fronteira de Masnaa, por onde 300 mil pessoas, principalmente sírias, passaram nos últimos dias. Ele afirmou que a estrada é controlada pelo Estado libanês e não pelo Hezbollah, contrariando as alegações de Israel.
Embora o tráfego de veículos tenha sido interrompido, as pessoas ainda podem cruzar a fronteira a pé, atravessando um campo de escombros. Matthew Hollingworth, do Programa da ONU para Alimentos, expressou preocupação com o bloqueio, destacando o impacto no envio de ajuda humanitária para áreas afetadas pelo conflito. Ele pediu que rotas alternativas sejam mantidas abertas para garantir a entrega de alimentos e suprimentos essenciais.
Em resposta, o Exército israelense declarou que o posto de controle na fronteira era utilizado para o contrabando de armas ao Hezbollah, incluindo a existência de um túnel de 3,5 km. Israel ameaçou continuar atacando qualquer veículo suspeito de transportar armas, incluindo aeronaves no aeroporto de Beirute.
No sul do Líbano, o Hezbollah confirmou a morte de 11 socorristas em ataques israelenses em cidades como Marjayoun e Khirbet Selem. Marjayoun, uma cidade majoritariamente cristã, teve seu principal hospital danificado após um bombardeio, forçando-o a interromper os serviços. Em Beirute, nove pessoas morreram após um ataque contra um prédio da Autoridade Islâmica da Saúde, sete delas socorristas.
Laila Baker, diretora regional do Fundo de População da ONU, classificou os ataques à infraestrutura médica como catastróficos. Ela informou que 40 instalações médicas foram fechadas na última semana, enquanto as que permanecem abertas estão sobrecarregadas pelo elevado número de feridos.
O governo libanês divulgou um balanço de mais de 2 mil mortos e quase 10 mil feridos desde o início da ofensiva israelense. Ziad Makary, ministro da Informação do Líbano, alertou sobre a crescente crise humanitária e comparou a situação no Líbano à da Faixa de Gaza, destacando o grande número de deslocados e as perdas humanas. Ele criticou a decisão de Israel de assassinar o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, durante negociações de cessar-fogo, chamando a ação de “criminosa” e responsabilizando Israel por intensificar o conflito na região.
Makary concluiu dizendo que o ataque israelense não só impacta o Líbano, mas ameaça desestabilizar toda a região.

