O Banco Central do Brasil determinou novamente a indisponibilidade de bens do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, e de Luiz Rennó Netto, ex-diretor jurídico da instituição. A medida reafirma o bloqueio de patrimônios que já estavam indisponíveis desde decisões anteriores, formalizando a continuidade das restrições.

O caso está ligado ao colapso do Banco Master, associado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Em novembro do ano passado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e bloqueou bens de controladores e ex-administradores. Na mesma ocasião, Vorcaro foi alvo de investigação da Polícia Federal, que apura suspeitas de fraudes envolvendo a criação e negociação de títulos de crédito.

A liquidação ocorreu menos de 24 horas após o anúncio da venda do banco para a Fictor Holding Financeira, em um movimento que chamou atenção de autoridades e do mercado financeiro. Posteriormente, novas medidas ampliaram o alcance das investigações.

Em fevereiro, o Banco Central também determinou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM, instituições vinculadas ao grupo Master. Essas empresas haviam sido adquiridas por Augusto Lima no segundo semestre do ano anterior, o que reforçou o monitoramento sobre sua atuação no sistema financeiro.

As investigações ganharam novos desdobramentos em março, quando Daniel Vorcaro voltou a ser preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A ordem foi expedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, com base em elementos que incluem mensagens apreendidas no celular do empresário.

A defesa de Augusto Lima afirmou, em nota, que ele não exercia função de administrador do Banco Master nos 12 meses anteriores à liquidação. Segundo os advogados, Lima deixou de ser acionista em maio de 2024 e não manteve vínculo de gestão com a instituição após essa data.

Os representantes legais também alegaram que a decisão do Banco Central apresenta contradição com atos anteriores da própria autarquia, que teria autorizado Lima a assumir controle de outra instituição financeira no mesmo período.

O caso segue sob investigação, com impacto relevante no sistema financeiro e na credibilidade das instituições reguladoras.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil


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