Jair Bolsonaro tem sido aconselhado por aliados do PL a acionar o senador Flávio Bolsonaro para conter as movimentações do irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos. A sugestão surgiu após queixas do ex-presidente sobre as declarações do filho, que, segundo ele, estariam “falando demais” e piorando sua situação política e jurídica.

Recentemente, Bolsonaro chegou a pedir a um aliado que viajaria aos EUA para transmitir um recado direto a Eduardo, manifestando sua insatisfação. O interlocutor, porém, sugeriu que a mensagem fosse entregue por Flávio, considerado o “filho 01”. Flávio já havia conversado com o irmão algumas semanas antes, tentando moderar seu discurso, mas sem sucesso.

Eduardo e seu grupo acreditam que o pai não tem mais força para conduzir as articulações políticas, avaliando que Bolsonaro se tornou “refém” do Centrão e do próprio PL. Eles discutem alternativas além da anistia ampla para os condenados pelos atos de 8 de janeiro, como a redução de penas. No entanto, Eduardo insiste que não aceita outro caminho que não seja a anistia total.

Na última quinta-feira (25), em Miami, Eduardo deixou essa posição clara durante encontro com o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante. Na reunião, ele também reafirmou o rompimento com Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e recusou qualquer ajuda financeira do partido para suas ações no exterior.

Entre aliados de Valdemar e do próprio Bolsonaro, cresce o desconforto com Eduardo, a ponto de alguns considerarem que ele atua hoje como “o maior cabo eleitoral de Lula”. Eduardo, por sua vez, defende que não há como construir um projeto político sólido junto ao PL e ao Centrão, defendendo a criação de uma nova alternativa na direita, sem vínculos com Valdemar.

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

 

 


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