O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou neste sábado (15) que participará das manifestações convocadas para o dia 16 de março. Ele confirmou presença no ato que ocorrerá no Rio de Janeiro e convocou seus apoiadores a comparecerem. Segundo Bolsonaro, os protestos terão como temas centrais a anistia dos presos pelo 8 de Janeiro, o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outras demandas nacionais.

“Eu devo estar no Rio de Janeiro. [A pauta] Vai ser o que? Anistia e as questões nacionais. Outros vão ser impeachment, outros vão ser outro assunto qualquer”, declarou Bolsonaro ao final de uma entrevista ao canal Brazil Talking News.

Na mesma ocasião, o ex-presidente voltou a minimizar os atos de 8 de Janeiro, alegando que a depredação das sedes dos Três Poderes ocorreu antes da chegada dos manifestantes. As declarações, no entanto, contradizem imagens amplamente divulgadas que mostram os ataques ao Palácio do Planalto, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional.

A convocação para os atos acontece em um momento crítico para Bolsonaro, pois a Procuradoria-Geral da República (PGR) deve apresentar nos próximos dias uma denúncia contra ele por tentativa de golpe de Estado. Além disso, o governo Lula enfrenta queda na popularidade, conforme apontado pelo instituto Datafolha.

A PGR também avalia denunciar o ex-presidente em investigações sobre a fraude no cartão de vacinação e a tentativa de incorporar joias da Presidência ao seu acervo pessoal, casos revelados por reportagens do Estadão.

A mobilização bolsonarista ganhou impulso após Elon Musk, empresário e proprietário da rede social X, compartilhar uma postagem mencionando uma “onda nacional de protestos” prevista para ocorrer em mais de 120 cidades no dia 16 de março.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, reagiu à movimentação, criticando a influência de Musk no cenário político brasileiro. “Elon Musk usando o X para comandar um protesto de bolsonaristas aqui no Brasil. Essa gente do inelegível não tem noção do que seja a palavra soberania. Bater continência para a bandeira dos EUA é pouco. Querem entregar de vez o País e nem se envergonham disso”, afirmou a petista.

 

Foto:  Fernando Frazão/Agência Brasil