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Depois de respeitado um minuto de silêncio pelas mais de 628 mil vítimas da Covid-19 no país e pelos mortos por conta das chuvas recentes em várias regiões, o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um discurso na abertura do ano legislativo, no Congresso Nacional, nesta quarta-feira (2), destacando as ações do governo federal durante a pandemia e em frentes de infraestrutura.

Na cerimônia com os chefes dos outros Poderes — Rodrigo Pacheco (PSD-MG) (Congresso Nacional e Senado Federal), Arthur Lira (PP-AL) (Câmara dos Deputados) e o ministro Luiz Fux (Supremo Tribunal Federal) –, Bolsonaro retomou alguns dos argumentos recorrentes de que sua gestão enfrentou a crise sanitária cuidando da manutenção de empregos e da frente da saúde.

“O governo federal não se afastou de duas premissas básicas: salvar vidas e proteger empregos. Na estratégia de combate à Covid, protegemos o SUS [Sistema Único de Saúde], oferta de leitos, equipamentos, equipes de saúde, medicamentos, entre outros”, alegou Bolsonaro.

“Todas as vacinas aplicadas no Brasil foram fornecidas pelo governo federal”, continuou. O presidente tratou ainda de alguns temas que passaram pelo Congresso e que ele considera conquistas, como a flexibilização de regras para compra de armas; regularização de terras; investimentos em energias; ações nas áreas de habitação e saneamento básico. Nesse momento, agradeceu nominalmente o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

Uma das obras evidenciadas por Bolsonaro, que pediu “atenção aos nordestinos”, foi o Caminho das Águas, no eixo norte de integração do Rio São Francisco, justificando que foi um “duro golpe na indústria da seca”.

O chefe do Executivo afirmou os parlamentares nunca o verão “pedir regulação da mídia e da internet” e “espera que isso não seja regulamentado por nenhum outro Poder”. E que nunca virá “anular a reforma trabalhista aprovada por este Congresso”, “os direitos trabalhistas continuam intactos”, em referência à proposta do PT que defende a revogação da medida em vigor no Brasil desde 2017.Bolsonaro mencionou ainda, nominalmente, o ministro Fábio Faria, das Comunicações, e Tarcísio Freitas, da Infraestrutura.

Desafetos

Azedou de vez o relacionamento entre o presidente Bolsonaro e o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM). Todo mundo sabe que Pacheco chegou ao cargo que ocupa com a ajuda de Bolsonaro que, lógico, contava com uma contrapartida, uma ajudazinha de vez em quando em questões ligadas ao governo que passam pelo Senado. Mas não está sendo assim. E Bolsonaro está satisfeito.

Agora o presidente começa a ver Pacheco com muita desconfiança. Já vê em Pacheco um nome perigoso para o avanço dos planos do governo. Bolsonaro tem dito aos amigos mais próximos, aqueles dos gabinetes paralelos, que Rodrigo Pacheco está seduzido pela ideia de se transformar na terceira via nas eleições presidenciais.Por isso, Pacheco deixou de se interessar pelas pautas do governo e dar prioridade a ministros. Em outras palavras: Pacheco mudou o comportamento e não quer muita conversa com ninguém.

Vários ministros têm reclamado a Bolsonaro que estão se aguentando antes de explodir. A questão está bastante tensa. Para piorar, Bolsonaro não engoliu ainda as duas derrotas recentes que sofreu por decisão de Rodrigo Pacheco. Ele devolveu a Bolsonaro a Medida Provisória das fake news e também rejeitou o pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Bolsonaro finge que esquece, mas não esquece. Longe dos jornalistas, Pacheco tem se reunido com líderes partidários para discutir a eleição presidencial de 2022, o que tem acontecido, também, com empresários e investidores do mercado financeiro. Bolsonaro está engolindo todos esses desaforos.

O que pareceu um duro golpe foi a devolução a Medida Provisória enviada ao Congresso que dificultava o combate às fake news. Bolsonaro não esquece. Ele guarda e um dia devolve. Os parlamentares sequer analisaram o mérito da MP. A proposta do governo alterava o Marco Civil da Internet, restringindo a possibilidade de moderação de conteúdo pelas plataformas.

Fonte: CNN Brasil


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