Após mais de treze anos, Brasília volta a sediar a Conferência Nacional das Cidades, reunindo representantes de todo o país para debater os rumos do desenvolvimento urbano brasileiro nos próximos anos. O evento ocorre entre esta terça-feira, vinte e quatro, e sexta-feira, vinte e sete, e deve contar com a presença de mais de mil e seiscentos participantes.
Organizado pelo Conselho das Cidades, órgão colegiado integrante da estrutura do Ministério das Cidades, o encontro na capital federal representa o ponto culminante de um amplo processo participativo. Antes da etapa nacional, foram realizadas conferências municipais e estaduais em mais de mil e oitocentos municípios, envolvendo os vinte e seis estados e o Distrito Federal.
Além de gestores públicos, o evento reúne representantes da academia, de movimentos sociais, de entidades profissionais e do setor empresarial. Todos colaboram na formulação das diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano, instrumento que orientará ações voltadas à promoção de cidades mais justas, sustentáveis e inclusivas em todo o território nacional.
Os delegados e delegadas com direito a voto foram eleitos nas etapas estaduais e chegam à conferência nacional com propostas aprovadas em seus respectivos territórios. As contribuições serão debatidas em salas temáticas e, ao final do encontro, consolidadas em um documento oficial que servirá de base para a elaboração final da política nacional.
As discussões abrangem temas como habitação, saneamento básico, mobilidade urbana, regularização fundiária, desenvolvimento das periferias, sustentabilidade ambiental, mudanças climáticas, transformação digital, acessibilidade tecnológica, cooperação interfederativa, controle social e segurança cidadã.
Ao comentar a retomada da conferência, o ministro das Cidades, Jader Filho, destacou a importância do caráter participativo do processo. Segundo ele, é fundamental ouvir realidades regionais distintas para a construção de políticas públicas eficazes, considerando a dimensão continental e a diversidade social e econômica do país.
O ministro lembrou que a Conferência Nacional das Cidades foi criada em dois mil e três, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e lamentou a interrupção do ciclo de debates a partir de dois mil e treze. Para ele, a ausência do espaço de diálogo comprometeu decisões estratégicas sobre o futuro urbano.
Jader Filho também relacionou a realização da sexta conferência à reconstrução do Conselho das Cidades, extinto em dois mil e dezenove. Segundo o ministro, a retomada do colegiado permitiu restabelecer reuniões periódicas e aprofundar o debate institucional sobre soluções estruturais para os desafios enfrentados pelas cidades brasileiras.
Com a conferência, o governo busca fortalecer o planejamento urbano, ampliar participação social e alinhar políticas públicas às necessidades reais das populações urbanas em todo o país.
Foto: José Cruz/ Agência Brasil

