O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, deve oficializar neste sábado, dia 14, sua entrada no PSD, partido presidido por Gilberto Kassab. A formalização da filiação ocorrerá durante um evento político regional na cidade de Jaraguá, localizada a cerca de 120 quilômetros de Goiânia. O ato é tratado por aliados como um momento importante de articulação política com vistas às eleições presidenciais de 2026.

A assinatura da ficha de filiação levou cerca de um mês e meio para ser concluída, período que alimentou especulações sobre eventuais divergências internas no partido. Entre os principais pontos de debate está a escolha antecipada do nome que representará o PSD na disputa pela Presidência da República.

Caiado disputa espaço dentro da legenda com outros dois governadores que também são apontados como possíveis candidatos ao Palácio do Planalto. São eles Ratinho Junior, governador do Paraná, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Inicialmente, Gilberto Kassab havia indicado que a definição do candidato ocorreria até 15 de abril, mas dirigentes partidários passaram a defender uma antecipação dessa decisão para o fim do mês.

A discussão ganhou relevância diante das regras da legislação eleitoral. Para disputar a Presidência da República por determinado partido, o candidato precisa estar filiado à legenda até 4 de abril do ano eleitoral. Caso a decisão ocorra depois dessa data, não haveria possibilidade de mudança de partido para participar da eleição.

Auxiliares de Caiado classificam o evento programado para este sábado como um ato de mobilização política voltado especialmente para sua base eleitoral em Goiás. A expectativa é reunir mais de 1.000 participantes no encontro denominado “Pra Frente Goiás”.

Gilberto Kassab deverá ser o único dirigente nacional presente na cerimônia. A ausência de Ratinho Junior e de Eduardo Leite reforça a estratégia de apresentar o evento como uma ação regional, concentrada no fortalecimento político do grupo liderado por Caiado no estado.

Durante o encontro, o governador também pretende destacar nomes ligados ao seu grupo político. Um dos anúncios previstos é a apresentação do atual vice-governador Daniel Vilela, do MDB, como candidato à sucessão no governo estadual. Vilela assumirá o comando do Executivo goiano em 31 de março.

Além disso, o evento deve abrir espaço para a projeção de possíveis candidatos ao Senado pela base governista em Goiás. Entre os nomes citados estão a primeira-dama Gracinha Caiado, do União Brasil; o senador Vanderlan Cardoso, do PSD; o deputado federal Zacharias Calil, do MDB; e o presidente da Agência Goiana de Habitação, Alexandre Baldy, do PP.

A aproximação entre Caiado e o PSD foi anunciada publicamente em 27 de janeiro, por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais. Na ocasião, o governador apareceu ao lado de Kassab, Eduardo Leite e Ratinho Junior após uma reunião realizada na residência do dirigente partidário em São Paulo.

No vídeo, Caiado afirmou que o grupo não busca protagonismo individual na disputa presidencial. Segundo ele, o objetivo é construir uma candidatura capaz de apresentar ao país um projeto político comum.

Antes da mudança partidária, Caiado era apresentado como pré-candidato à Presidência pelo União Brasil. A saída ocorreu após avaliações internas de que o partido poderia não lançar candidato próprio, especialmente diante das negociações para formação de uma federação com o Progressistas.

Pesquisas recentes indicam dificuldades para candidaturas associadas à chamada terceira via. Levantamento do instituto Datafolha realizado entre os dias 3 e 5 de março mostra Lula com cerca de 38% ou 39% das intenções de voto, dependendo do cenário testado.

No mesmo levantamento, Flávio Bolsonaro aparece com índices entre 32% e 34% no primeiro turno. Entre os nomes do PSD, Ratinho Junior registrou 7%, Caiado 4% e Eduardo Leite 3%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Foto: Divulgação: GEG


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