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Em Belo Horizonte e região metropolitana, com cenário atual do trasnsporte público de tarifas mais altas, menos viagens e ônibus lotados, aqueles usuários que não têm escolha e confiam no sistema relatam que suas vidas foram afetadas e até mesmo encontrar um emprego foi dificultado.

A qualidade do transporte e os problemas com passagem se arrastam há anos, mas foi com a pandemia do coronavírus, a partir de 2020, que a situação piorou. Nesse período de aperto para o passageiro, o estudante universitário Luiz Felipe Silva Alvares, de 18 anos, ouviu de um empregador que não seria contratado por morar longe.

“Antes de trancar minha faculdade eu tentei uma vaga de estagiário em uma empresa, passando pela primeira fase com tranquilidade. Na segunda fase, logo após ter sido elogiado sobre meu currículo, fui informado que devido a despesas excessivas de transportes eu não estaria dentro do padrão que eles pretendiam”, conta o estudante que mora em Nova Lima, na região Metropolitana, e concorria a uma vaga de emprego em uma empresa localizada na região Noroeste de Belo Horizonte.

Moradora de Justinópolis, em Ribeirão das Neves, a diarista Darlene Ferreira, de 37 anos, passou por uma situação ainda pior: foi demitida do emprego por causa do valor da passagem.

“Trabalhava três dias na semana, aí veio o aumento das passagens metropolitanas e preferiram me dispensar dizendo que para eles não era vantagem ter mais gastos”, diz a diarista que é mãe de quatro filhos.

Com a passagem do ônibus metropolitano custando R$ 6,60, ela conta que praticamente paga para trabalhar atualmente. “Hoje eu vou ao trabalho duas vezes na semana e o trabalho apenas se acumula. No fim das contas, agora eu faço mais coisas, recebo menos e ainda pago mais caro para ter menos ônibus e sempre lotados”, relata a diarista, que completa. “É a única opção pra ter pelo menos o feijão e o arroz em casa”, conta.

Se a situação para o trabalhador é ruim, para o empregador também não é boa. No setor de comércio e serviços, que emprega cerca de 1,5 milhão de pessoas na capital, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), os prejuízos vão desde a redução na quantidade de clientes até a dificuldade em manter um funcionário.

“Hoje nós estamos vendo o Centro de BH se esvaziando e um dos motivos é essa questão do transporte coletivo, aliado a outros motivos também. E isso está elevando os para todas as empresas. Tem gente até que está optando por pagar um transporte particular para levar e buscar os funcionários nos horários e deixando de utilizar o transporte coletivo porque não pode confiar no ônibus”, explica o presidente da CDL/BH, Marcelo Souza e Silva.

O dirigente conta que os trabalhadores mais afetados no setor são aqueles que dependem do transporte noturno, como os funcionários de shoppings. Para resolver o problema, Silva diz que os empresários precisam ‘ver para crer’.

“O que precisamos é voltar a trazer a confiança no transporte coletivo para que os empresários não tenham esse custo a mais e não precisem demitir as pessoas que utilizam mais de um ônibus. A nossa preocupação é que esses ônibus voltem de maneira robusta e que possam atender efetivamente às necessidades da população”, avalia.

Membro do movimento Tarifa Zero, o pesquisador em mobilidade André Veloso afirma que além de causar prejuízos, a piora no transporte público aumenta a segregação da população que vive longe dos grandes centros.

“Todo mundo que anda de ônibus quer parar, hoje, o transporte coletivo é a última opção. E para quem não tem condições e depende do ônibus, o que temos é um aumento da segregação urbana. Ou seja, as pessoas que não tem dinheiro e tempo para acessar a cidade vão continuar sem acessar”, explica Veloso.

 


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