A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu nesta terça-feira (2) os argumentos apresentados pelo advogado Paulo Renato Cintra, que defende o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem. O episódio ocorreu durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus acusados de integrar o núcleo central da trama golpista de 2022.

Durante sua sustentação oral, Cintra utilizou as expressões “voto impresso” e “voto auditável” como se fossem equivalentes, ao tentar demonstrar que Ramagem não teria contribuído para a propagação de desinformação contra o sistema eleitoral.

Cármen Lúcia, que já presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contestou a afirmação e ressaltou que as urnas eletrônicas são auditáveis desde 1996, quando começaram a ser usadas no país. “Vossa Senhoria usou, com muita frequência, como se fosse a mesma coisa, não é. O que foi dito o tempo todo é essa confusão para criar uma confusão na cabeça da brasileira e do brasileiro para colocar em xeque”, disse a ministra.

Diante da intervenção, o advogado esclareceu que recorreu ao uso das expressões como sinônimos porque era dessa forma que o tema aparecia em mensagens de WhatsApp trocadas entre Bolsonaro e aliados, documentos que constam na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). “Eu usei essa expressão porque os termos eram tratados no texto que circulou entre os acusados”, afirmou.

Na mesma sustentação, Cintra acrescentou que os supostos casos de monitoramento ilegal citados na acusação ocorreram antes da posse de Ramagem na direção da Abin, tentando afastar a responsabilidade de seu cliente. A sessão prossegue com a manifestação dos demais advogados de defesa.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 

 


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