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Considerada um avanço para os turistas, ciclistas e frequentadores, a nova Ciclovia da Lagoa da Pampulha apresenta alguns problemas, debatidos em audiência pública realizada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário, da Câmara Municipal de BH, na quinta-feira (27/8).

Trincas no asfalto, bocas-de-lobo mal colocadas, trechos que causam trepidação para o ciclismo, áreas sem acessibilidade e com pintura gasta estão entre as questões apresentadas pelo vereador Jorge Santos (Republicanos), autor do requerimento e ciclista assíduo do local. Ciclistas mostraram falhas na execução do projeto, que está em fase de conclusão.

Autoridades municipais se mantiveram abertas ao diálogo, anotaram as demandas e se prontificaram a encaminhá-las aos setores competentes. Um dos representantes das três construtoras executantes do projeto prestou esclarecimentos sobre os problemas e as possibilidades de repará-los antes da conclusão da obra. Vereadores ressaltaram a necessidade do cuidado com a pista e com a orla como um todo. Santos afirmou que irá marcar outra visita técnica com a Coordenadoria de Atendimento Regional Pampulha para mostrar as questões levantadas na reunião.

Jorge Santos disse que a Lagoa da Pampulha está “maravilhosa”, mas discorda de matéria jornalística recente, publicada no jornal O Tempo, que afirmou que a ciclovia está pronta. “Não estou vendo a obra pronta, estou vendo gente trabalhando nela”, afirmou. Santos disse que a melhoria da via é uma luta dele e da Federação dos Ciclistas há mais de dez anos.

Ele conta que, em julho do ano passado, houve uma reunião com representantes da BHTrans e da Secretaria Municipal de Obras para debater o projeto, avaliado em R$ 5 milhões. Com a proximidade da conclusão das obras restam alguns pontos a serem debatidos. “A obra nem foi inaugurada e já apresenta problemas”, pontuou, acrescentando que muitos itens do projeto original “não saíram do papel”.

Necessidade de melhoria

Ciclista assíduo da Orla da Lagoa da Pampulha, o vereador apresentou vídeo e fotos com as pendências registradas pela sua equipe no dia anterior ao da audiência. Bueiros em más condições, apresentando riscos aos ciclistas, obras sem conclusão, pouca sinalização, ciclovia com rachaduras, trechos que causam trepidação para os ciclistas e pintura apagada foram alguns dos problemas registrados.

Santos também disse que das 21 placas de sinalização previstas, apenas 8 estão na via, muitas delas mal posicionadas, e alguns locais não têm acessibilidade para cadeirantes. Ele acrescentou que não foram retirados os quebra-molas próximos às novas faixas elevadas para pedestres, o que gera um excesso de redutores de velocidade em alguns trechos da lagoa e danifica as bicicletas.

Braulio Lara (Novo) elogiou Santos por trazer o tema à Comissão e ressaltou que a Orla da Lagoa da Pampulha não é um local restrito à prática esportiva, mas um local de turismo. “É fundamental que a ciclovia seja colocada no nível do cartão-postal que a Lagoa da Pampulha representa”, afirmou. Lara também defendeu que as melhorias do trecho em debate sejam implementadas na Orla da Lagoa como um todo. Wesley (PP) apoiou a iniciativa de Jorge Santos e desejou que todos tenham condições de fazer uso de ciclovias, afirmando que a capital mineira ainda apresenta um déficit nesse quesito.

“A obra deu um alívio em questão de segurança, mas eu esperava um pouco mais”, disse Pedro Gomes, representante dos ciclistas. Ele reiterou o apelo para a retirada dos quebra-molas ou a adequação dos mesmos aos moldes da Associação Brasileira de Normas técnicas (ABNT), pois as lombadas estão “quebrando e arrebentando raios”. Santos disse que muitos pedestres caminham pelas ciclovias porque as calçadas portuguesas apresentam problemas. Os problemas causados pelo excesso de quebra-molas também foram ressaltados pelo representante dos ciclistas Diocleciano.

Reparação de problemas

Os eventuais problemas detectados na obra podem ser reparados pela empreiteira, por uma questão contratual, disse o diretor de Planejamento e Informação da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), Gustavo Kummer, que contou que já está sendo contratado projeto para obras no restante da lagoa. Ele também assegurou que irá fazer vistoria dos 7,1 km da ciclovia no final de semana e esclareceu que as empresas recebem o valor contratado conforme vão executando a obra.

De acordo com o diretor, a retirada dos quebra-molas apontada por Jorge Santos é necessária e é de responsabilidade da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), por envolver recapeamento da via. Eveline Trevisan, coordenadora de Sustentabilidade e Meio Ambiente da BHTrans, disse que, entre os anos de 2010 e 2011, a ciclovia foi implementada no nível da pista de rolamento com a largura de 1,8 metro com segregadores de concreto.

Ela conta que naquela época houve muitas demandas por parte dos ciclistas que treinam velocidade e a consideraram insegura. A solução encontrada foi elevar a pista e alargar a via para 2,5 metros. Trevisan disse que realiza reuniões mensais abertas aos ciclistas, e que irá revisar os problemas e locais mencionados para fazer com que a ciclovia atenda a demanda da cidade.

Gubian Alvarenga, presidente da Construtora Alvarenga Santos, uma das três empresas que participou da reforma e construção da ciclovia, disse que a obra está sendo finalizada, faltando ainda pequenos reparos e acabamentos. Segundo ele, as especificidades do trecho 1, próximo ao Museu de Arte da Pampulha, não estavam definidas no contrato.

Após fazer o piso, foram detectadas irregularidades, minimizadas com um polimento, o que melhorou parcialmente a situação, mas não sanou totalmente o problema. Jorge Santos perguntou se esse 1,2 km com trepidação dos 7 km da ciclovia não prejudicam a execução do projeto. Alvarenga disse que é uma avaliação técnica que tem que ser feita pela BHTrans. O presidente da empresa disse que é possível avaliar o problema dos bueiros, e que não é responsável pela pintura. Braulio Lara questionou se após a execução da obra há um período de garantia para a população.

Alvarenga disse que a garantia dura um período de 5 anos por vício de construção. Ele também explicou que o concreto dilata com a mudança de temperatura do local, o que ocasiona trincas que não comprometem a qualidade do serviço. Conforme acrescentou, faltava experiência para a empresa em construção de ciclovias e, quando perceberam que houve problemas no trecho 1, corrigiram nos trechos seguintes.

Encaminhamentos

A coordenadora de Atendimento Regional Pampulha, Neusa Fonseca, disse estar a disposição para o diálogo. Ela também disse ter registrado todos os problemas levantados e afirmou que irá encaminhá-los aos órgãos municipais cabíveis, como as secretarias municipais de Obras e de Governo.

Gustavo Kumer, da BHTrans, explicou que tem conhecimento das avarias presentes nas calçadas da orla da Lagoa da Pampulha, e que a BHTrans, juntamente com a coordenadoria de Atendimento Regional Pampulha e a Secretaria Municipal de Obras, irá fazer uma vistoria por toda o local. Ele afirmou que existe a possibilidade de a reforma das calçadas ser enquadrada no projeto Mob Centro, o que agilizaria o processo.

Braulio Lara disse ser importante atuar para “deixar nossa orla sempre um brinco, impecável”. Neusa Fonseca agradeceu a oportunidade de diálogo, salientou que todas as observações sobre o tema foram por ela registradas durante a audiência e defendeu a importância de se somar esforços nas ações para dar respostas efetivas à população.

Os representantes da BHTrans também defenderam a relevância do trabalho em conjunto. Jorge Santos irá fazer um requerimento para uma visita técnica a ser realizada no final de agosto com o objetivo de que sejam revistos os temas abordados. “Viva a Lagoa da Pampulha!”, concluiu.

 


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