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Em 2020 e 2021, a covid-19 matou mais que o triplo de crianças de 6 meses a 3 anos do que a soma de todas as mortes nessa faixa etária ao longo da última década por doenças preveníveis por vacinas. Os dados foram levantados pelo Observatório de Saúde na Infância – Observa Infância (Fiocruz/Unifase) a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Para a análise, foi considerada a Lista Brasileira de Mortes Evitáveis para menores de 5 anos, que inclui 14 doenças com desfecho fatal prevenível por imunização: neurotuberculose, tuberculose miliar, tétano neonatal, tétano, difteria, coqueluche, poliomielite, sarampo, rubéola, hepatite B, caxumba, rubéola congênita, hepatite viral congênita e meningite meningocócica do tipo B.

Entre 2012 e 2021 o Brasil registrou 144 óbitos de crianças de 6 meses a 3 anos como resultado de doenças dessa lista, apesar de algumas delas não terem causado nenhuma morte infantil. É o caso da poliomielite, erradicada desde 1994 no país. Já a covid-19, em um período de dois anos, matou 539 crianças nessa faixa etária, que ainda não tem vacina aprovada no Brasil.

O Observa Infância é uma iniciativa de divulgação científica para levar ao conhecimento da sociedade dados e informações sobre a saúde de crianças de até 5 anos.

Vacinas para crianças

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, no dia 13, o uso emergencial da vacina contra a covid-19 Coronavac em crianças de 3 a 5 anos. Mesmo com a aprovação, o Ministério da Saúde não concretizou a compra de doses do imunizante para essa faixa etária. A pasta está em tratativas com o Instituto Butantan e o consócio global de vacinas Covax Facility.

Nos EUA, foram aprovadas duas vacinas contra a covid-19 para crianças acima dos 6 meses de idade, a Moderna e a Pfizer. As fabricantes ainda não entraram com pedido de aprovação dos imunizantes para bebês no Brasil.


Paola Tito

editor

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