Após sete meses de funcionamento, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS foi encerrada sem a aprovação de um relatório final, evidenciando o impasse político entre oposição e base governista. O parecer apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar foi rejeitado pela maioria dos integrantes da comissão, por dezenove votos a doze, impedindo o encaminhamento formal das conclusões do colegiado.

Logo após a divulgação do resultado, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, decidiu encerrar os trabalhos sem submeter à votação o relatório alternativo elaborado por parlamentares alinhados ao governo. A decisão gerou críticas imediatas de integrantes da base, que defendiam a apreciação do documento como forma de garantir o contraditório nas conclusões da investigação.

A senadora Eliziane Gama apresentou uma questão de ordem solicitando a análise do relatório alternativo, mas o pedido não foi acatado pela presidência da comissão. Além disso, não houve designação de relator para leitura do texto governista, o que inviabilizou qualquer deliberação sobre o conteúdo.

Mesmo sem a aprovação do relatório, Carlos Viana afirmou que as investigações terão continuidade em outras instâncias. Segundo ele, cópias do parecer rejeitado serão encaminhadas a órgãos como o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal, para eventual adoção de medidas judiciais.

O deputado Paulo Pimenta declarou que o relatório alternativo será enviado à Polícia Federal do Brasil, reforçando a disputa narrativa entre os grupos políticos envolvidos. A reunião que marcou o encerramento da CPMI começou na manhã de sexta-feira, dia vinte e sete, e se estendeu até a madrugada de sábado, evidenciando o clima de tensão.

O relatório rejeitado, com mais de quatro mil páginas, previa o indiciamento de duzentas e dezesseis pessoas. Entre os citados estavam Antônio Carlos Camilo Antunes, o empresário Maurício Camisotti e Daniel Vorcaro, além de ex-ministros, ex-dirigentes do INSS e parlamentares.

O documento também incluía o pedido de indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o relator, ele teria recebido valores por meio de intermediários ligados ao esquema investigado, hipótese contestada por aliados do governo.

Por sua vez, o relatório alternativo apresentado pela base governista propunha o indiciamento de duzentas e uma pessoas. Entre os nomes citados está o ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como líder de uma suposta organização criminosa responsável por fraudes em descontos associativos aplicados a benefícios do INSS.

O parecer também sugere o indiciamento do senador Flávio Bolsonaro por envolvimento em organização criminosa. As conclusões divergentes entre os dois relatórios refletem a polarização política que marcou os trabalhos da comissão desde sua instalação.

A CPMI foi criada em agosto de dois mil e vinte e cinco com o objetivo de investigar descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Ao longo dos meses, o escopo foi ampliado para incluir suspeitas de irregularidades na concessão de empréstimos consignados, envolvendo instituições financeiras e associações.

Nas semanas finais, a comissão também foi alvo de controvérsias relacionadas ao vazamento de conversas privadas do empresário Daniel Vorcaro. Os dados estavam em aparelhos apreendidos pela Polícia Federal e foram compartilhados com autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, o que gerou questionamentos sobre a condução das investigações.

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil


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