Entre os deputados estaduais mineiros, 5% deles não estarão nas urnas na eleição de outubro deste ano. Dos 77 parlamentares com mandato atualmente, 66 tentam a reeleição, sete alçam voos mais altos e quatro decidiram interromper, pelo menos neste primeiro momento, a vida política.

Entre os nomes que não aparecerão nas urnas, alguns saltam aos olhos, como o de Sávio Souza Cruz (MDB), com seis mandatos na Casa e atuação também como secretário de Estado.

O motivo para a saída da vida pública pode ter sido a vaga aberta no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Enquanto o atual presidente da Casa, Agostinho Patrus (PSD), já tem a vaga praticamente garantida, há quem diga nos corredores da Assembleia que após ser preterido, Sávio Souza Cruz se desiludiu com a vida pública.

A deputada Celise Laviola (Cidadania), que também tinha se colocado na disputa para a vaga, é outra parlamentar que decidiu não se candidatar neste ano.

Em contato com o Aparte, Sávio Souza Cruz foi de poucas palavras. O emedebista disse que independentemente de mandato, sempre permanece na política, mas que os vários anos na Assembleia motivaram a decisão. “Já são oito mandatos, é hora de parar”, afirmou. Na conta do deputado entraram também as duas eleições para vereador em Belo Horizonte, cargo que ocupou entre 1993 e 1998. Um ano depois, foi eleito para deputado estadual, onde permaneceu até agora.

Em 1999, assim que tomou posse na Assembleia, se licenciou para ser secretário de Estado de Recursos Humanos e Administração. Ele voltou a ocupar cargo no governo em 2015, quando assumiu como Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Ele saiu da pasta em 2016 e, um ano depois, foi nomeado como Secretário de Estado de Saúde.

Questionado se tem planos para o futuro na vida pública, o parlamentar negou. Ele frisou, entretanto, que não existe nenhuma desilusão. “Só avaliação de que é chegada a hora. Estou tentando ajudar alguns candidatos, entre eles o ex-presidente Adalclever Lopes (PSD), que tenta retornar à Assembleia”, pontuou.

Nem Agostinho, nem Sávio Souza Cruz deixaram sucessores políticos. O que não é o caso de Celise Laviola, que lançou o filho, José Laviola Neto, como candidato. Ainda em abril, Celise confessou a possibilidade de abrir mão da tentativa de reeleição. À época, disse que conversaria com sua base eleitoral para buscar uma definição. A coluna a procurou e não obteve resposta.

Exterior

Quem também ficou de fora foi Léo Portela (PL). Ele, entretanto, já tinha declarado que não seria candidato. Como mostrou o Aparte recentemente, há a possibilidade dele assumir cargo público do governo federal no exterior.

Ele é filho do vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Lincoln Portela (PL). O assunto ainda é tratado de forma reservada por eles, assim como qual seria o cargo exato, mas o Aparte apurou que há a possibilidade dele atuar nos Estados Unidos ou na Itália.

Procurado pela coluna, o deputado estadual voltou a frisar que decidiu dedicar mais tempo à família e aos negócios e que tem “algumas propostas para o exterior”, mas que vai analisar e decidir após o término do mandato.