O ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) anunciou que votará nulo se a disputa de segundo turno for mesmo entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL). Arrependido do voto no atual chefe do Executivo em 2018, ele afirma que a consolidação da polarização está cada vez mais forte e que nomes da terceira via foram massacrados.

“Pela primeira vez na vida, se isso (segundo turno entre Lula e Bolsonaro) vou anular meu voto. Nunca votei em branco e nunca anulei. Quero estar em paz com a minha consciência”, disse o tucano em entrevista à revista “Veja”, na qual também disse achar que Bolsonaro pode tentar dar um golpe de Estado.

Na conversa, ele afirmou que vê com dificuldades a ascensão de uma terceira via na corrida eleitoral. Ele próprio não conseguiu se viabilizar, após ser abandonado pelo partido. Com isso, anunciou que estava deixando a vida pública.

“Vejo com dificuldades a terceira via. Não quero fazer prognósticos, nem deixar de ter respeito por Simone Tebet, Luiz Felipe d’Avila, Luciano Bivar, Ciro Gomes e outros candidatos. A bipolarização se fortaleceu de tal forma que, lamentavelmente, o destino do Brasil é ser governado por um populista, de esquerda ou de direita. Lula e Bolsonaro não representam esperança para o Brasil”, criticou o ex-governador.

Em seguida, ele admitiu que a vitória será de Lula ou Bolsonaro, a quem chama de “populistas”. “O Brasil não precisa de um populista à frente do país, mas é isso que vai acontecer”, avaliou, dizendo que Lula será “o presidente do atraso” se for eleito e criticando o atual presidente.

“Como eu, há milhões de brasileiros arrependidos. Escolhemos o remédio errado para salvar o Brasil. O Brasil, de fato, ficou pior com Bolsonaro”, resumiu Doria, que fez campanha casada com a do chefe do Executivo federal para se eleger como governador de São Paulo.