O conhecimento das características de um vírus permite o desenvolvimento de tecnologias para o combate de doenças. Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atuam na pesquisa do vírus monkeypox, causador da varíola dos macacos, obtiveram imagens nítidas do momento em que uma célula sofre o processo de degeneração após a infecção. 

Em outro registro, obtido a partir de um microscópio eletrônico de transmissão, é possível observar de forma ampliada a estrutura da célula após a replicação viral. O microrganismo infecta a região celular do citoplasma, onde se encontra o núcleo, responsável por guardar o material genético da célula. 

Após entrar no organismo, o vírus invade as células humanas com o objetivo de criar inúmeras cópias de si mesmo – momento importante do processo de infecção. Os pesquisadores da Fiocruz conseguiram registrar as partículas virais no processo de replicação no citoplasma da célula. O momento pode ser visto com ampliação da imagem em 40 mil vezes. 

A partir das imagens, pôde ser verificado que, apesar do tamanho reduzido do vírus em relação à célula, ele é capaz de infectar a estrutura e se replicar com facilidade. O vírus monkeypox é cerca de 300 vezes menor que uma célula humana. 

A pesquisa é coordenada pela chefe do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral do IOC, Debora Ferreira Barreto Vieira, com colaboração das pesquisadoras Milene Dias Miranda, Gabriela Cardoso Caldas e Vivian Ferreira. 

O projeto também conta com a parceria da equipe do Laboratório de Enterovírus, chefiado por Edson Elias, que atua como referência em diagnóstico laboratorial em monkeypox para o Ministério da Saúde, e que foi o responsável pela detecção viral na amostra utilizada no estudo.