O senador Flávio Bolsonaro intensificou nos últimos dias uma articulação interna para reduzir tensões dentro da família Bolsonaro e evitar impactos negativos na pré-campanha eleitoral. A movimentação ocorre diante de episódios recentes envolvendo o deputado Eduardo Bolsonaro, que está fora do país e, segundo interlocutores, tem adotado uma postura mais independente.
Aliados relatam que Flávio passou a dialogar com os irmãos Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro para evitar reações públicas a provocações nas redes sociais. A orientação é conter conflitos e impedir que divergências internas ganhem maior repercussão.
Em paralelo, o senador tenta promover uma reaproximação entre Eduardo e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Segundo aliados, Michelle condicionou maior participação na campanha a um pedido público de desculpas do enteado, após episódios que desgastaram a relação.
O incômodo teria aumentado após declarações públicas de Eduardo cobrando engajamento de nomes da direita e, posteriormente, durante o episódio do CPAC, quando o deputado afirmou ter produzido um vídeo para o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A situação foi interpretada no entorno de Michelle como exposição indevida.
A crise também foi ampliada por manifestações de aliados de Eduardo nas redes sociais, sem reação pública do parlamentar. Para integrantes próximos à ex-primeira-dama, o silêncio contribuiu para aprofundar o desgaste.
Outro foco de tensão envolveu o deputado Nikolas Ferreira. O embate começou após críticas feitas por Eduardo sobre conteúdos compartilhados pelo mineiro. A troca de declarações elevou o tom entre os dois.
Diante do episódio, Flávio Bolsonaro atuou diretamente para encerrar o conflito, promovendo uma conversa telefônica entre os parlamentares. A orientação foi evitar novos confrontos públicos.
Nos bastidores, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também deve participar das articulações. A expectativa é que ele trate do tema com Eduardo em agenda nos Estados Unidos, reforçando a necessidade de pacificação interna.
Aliados avaliam que a repetição de conflitos pode comprometer a estratégia política do grupo. Ainda assim, reconhecem que, pela atuação no exterior, Eduardo pode continuar protagonizando episódios que gerem novos desgastes.
Fonte: O Globo
Foto: Miguel Schincariol/AFP

