Com Jair Bolsonaro (PL) inelegível até 2030 e o julgamento da trama golpista avançando no Supremo Tribunal Federal (STF), governadores de oposição ao presidente Lula (PT) endurecem o discurso. O movimento ocorre em um contexto de disputa pelo espólio político do ex-presidente.
Nos últimos dias, os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), intensificaram ataques ao governo federal, em meio à crise de popularidade do presidente.
No último domingo (16), durante ato com Bolsonaro em Copacabana, Tarcísio criticou a alta dos preços dos alimentos e combustíveis: “Prometeram picanha e não tem nem ovo. Se está tudo caro, volta Bolsonaro”. O governador também relembrou escândalos de corrupção envolvendo o PT. Embora negue oficialmente, aliados afirmam que ele cogita disputar a Presidência em 2026.
Outro nome cotado, Romeu Zema protagonizou um embate com Lula em evento no dia 11 em Betim (MG). O governador insinuou que o governo federal tem ministérios em excesso: “Para ganhar campeonato, não precisa de 20 ou 30 jogadores em campo, mas de 11 craques”. Lula rebateu que “importa a qualidade das pessoas e seus compromissos, não a quantidade”.
Zema também defendeu o Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), vetado parcialmente pelo presidente. No dia seguinte, postou nas redes sociais uma frase atribuída a Winston Churchill sobre “humanos permitirem que um estúpido lidere a manada“. Questionada, sua assessoria não comentou se a declaração mirava Lula.
Ibaneis Rocha, por sua vez, declarou que evitou a posse da OAB Nacional por causa do presidente. “Não piso na terra arrasada do Lula”, afirmou. Ele acusou o petista de tê-lo apontado “de forma leviana” como cúmplice dos ataques golpistas de 8 de janeiro. O STF arquivou o inquérito contra o governador, mas Ibaneis insiste que só voltará a eventos com Lula se houver retratação.
No dia 12, Cláudio Castro criticou o governo federal por não convidá-lo para o G20, apesar de solicitar recursos para o evento. “Foi uma indelicadeza ímpar, um rompimento institucional. O governo federal pediu ajuda e depois nos ignorou”, disse. O governador também classificou o chanceler Mauro Vieira como “fraquíssimo“.
Antes disso, Lula havia se queixado da ausência de Castro em um evento no Rio: “Ele foi convidado e convido a todos, até os que fazem críticas irresponsáveis ao meu governo”, afirmou o petista em fevereiro.
A movimentação dos governadores evidencia a disputa pelo líder da direita em 2026, reforçando o embate político com Lula.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

