O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou a aliados a intenção de acelerar as negociações para a reforma ministerial, envolvendo os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ambos já foram informados de que participarão de reuniões com o presidente, e as discussões devem se estender pela próxima semana. Alcolumbre acompanhará Lula em uma viagem ao Amapá nesta quinta-feira (13), a convite do petista.
Segundo fontes próximas ao governo, as mudanças na Esplanada começarão pelos ministérios atualmente ocupados por petistas ou por ministros considerados da cota pessoal de Lula. Entre os principais cotados para substituição está a ministra da Saúde, Nísia Trindade. Para o seu lugar, são avaliados os nomes do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e do presidente da Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), Arthur Chioro, que já coordenou a equipe de transição na área da saúde e foi ministro da pasta no governo Dilma.
A articulação ocorre em um momento de desgaste do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT-PI), cuja permanência no cargo vem sendo questionada por aliados. Recentemente, ele gerou atritos ao mencionar publicamente a possibilidade de reajuste no Bolsa Família, o que provocou reações no mercado e levou a Casa Civil a negar estudos sobre o tema. Alguns interlocutores do governo acreditam que Dias poderia retornar ao Senado para reforçar a articulação política na Casa.
Outro nome cogitado para mudança é o de Márcio Macêdo, atual secretário-geral da Presidência. A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), é uma das cotadas para assumir a função. Já a ministra Cida Gonçalves (Mulheres) pode ser substituída por Luciana Santos, atual ministra da Ciência e Tecnologia. A troca abriria espaço para que um partido do centro, como o PSD, assumisse a pasta da Ciência e Tecnologia.
O nome da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) também foi sugerido para o Ministério da Ciência e Tecnologia, mas enfrenta resistência dentro do PT e do próprio PSB. Além disso, com Geraldo Alckmin permanecendo no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a nomeação de Tabata se tornaria inviável, pois ambos pertencem ao mesmo partido.
Lula também pretende conversar com os ex-presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), sobre uma possível participação no governo. O centrão tem interesse na pasta da Agricultura, atualmente sob o comando de Carlos Fávaro (PSD), mas encontra forte oposição do próprio PSD.
A eventual ida de Alexandre Padilha para a Saúde levantaria questionamentos sobre o futuro da Secretaria de Relações Institucionais. Enquanto um grupo defende que o cargo permaneça com o PT, outra ala sugere a nomeação de um político com forte trânsito no Congresso. Nessa hipótese, um dos cotados é Silvio Costa Filho (Republicanos), atual ministro de Portos e Aeroportos. Há também uma proposta para que Isnaldo Bulhões (MDB-AL) assuma o posto.
Nos bastidores da Câmara, aliados de Motta avaliam que, após a reunião com Lula, ele poderá definir a distribuição de cargos estratégicos e comissões na Casa. Um interlocutor próximo ao presidente da Câmara destacou a necessidade de o governo adotar uma postura mais ativa em 2025, considerado um ano preparatório para as eleições presidenciais de 2026. A expectativa é que as mudanças na Esplanada contribuam para fortalecer a base aliada e garantir maior estabilidade política para o governo Lula.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

