O presidente do PSDB, Marconi Perillo, anunciou nesta quarta-feira (12) que a sigla continuará existindo e descartou, por ora, qualquer possibilidade de fusão ou incorporação a outros partidos. A decisão representa um recuo em relação à posição anterior, quando o tucano indicava que haveria uma definição sobre o futuro do partido até março. Perillo afirmou que a legenda aguardará mais tempo antes de tomar qualquer decisão definitiva, evitando um movimento precipitado.

As tratativas com o PSD eram as mais avançadas, e o presidente da sigla, Gilberto Kassab, defendia a incorporação do PSDB — o que, na prática, significaria a extinção do partido. O recuo surpreendeu aliados de Kassab, enquanto o MDB, outro possível parceiro, preferiu não comentar o desdobramento.

“Vamos continuar dialogando, mas a prioridade é preservar a história e o legado do partido que muito contribuiu para melhorar nosso país”, declarou Perillo.

O deputado federal Aécio Neves (MG) foi um dos principais opositores à incorporação, principalmente porque o PSD tem forte presença em Minas Gerais com lideranças como o ministro Alexandre Silveira e o senador Rodrigo Pacheco. A aliança poderia dificultar os planos de Aécio para uma eventual candidatura ao Senado ou ao governo mineiro em 2026.

Perillo, por sua vez, também tinha razões políticas para evitar a fusão com o MDB, uma vez que o vice-governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), é considerado o candidato natural ao governo estadual, cargo que Perillo também cogita disputar.

Em nota divulgada à imprensa, Perillo reiterou que o PSDB “não vai desaparecer” e sugeriu que alianças estratégicas, seja por federação ou pela adesão de outras siglas, são caminhos mais viáveis para a sobrevivência do partido. Ele ressaltou a necessidade de estratégias para superar as restrições da cláusula de desempenho, que se tornará mais rigorosa a partir da eleição de 2026.

“A partir da eleição de 2026, a chamada ‘cláusula de desempenho’ ficará mais rígida e precisamos encontrar soluções para superar esse obstáculo. Isso inclui a construção de chapas fortes para as eleições para o Congresso Nacional, para as assembleias estaduais e distrital, para os governos estaduais e para a Presidência da República, além de alianças fortes e robustas para lhes dar sustentação”, afirmou Perillo.

O tucano também destacou a federação com o Cidadania, que se encerra no primeiro semestre de 2026. Segundo ele, há conversas em andamento para avaliar a manutenção ou ampliação dessa parceria, assim como a possibilidade de convergência com outras legendas ao PSDB.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), reforçou que a declaração de Perillo serve para assegurar que a sigla continuará existindo. “As regras do jogo impõem ao PSDB discutir todas as alternativas possíveis, inclusive fusões, se forem para constituir algo que corresponda ao ideário do nosso partido”, afirmou.

Leite pontuou que qualquer movimentação deve preservar os valores tucanos e permitir que as lideranças tenham participação efetiva na nova estrutura partidária. “Simplesmente entrar para uma nova agremiação partidária em bloco é o que não está sendo considerado”, acrescentou.

Nos bastidores, tucanos avaliam que a resistência interna influenciou a decisão de Perillo. Segundo um deputado federal da sigla, assinar uma incorporação significaria um “atestado de óbito” do PSDB, algo que o presidente do partido preferiu evitar. A expectativa agora é de que novas estratégias sejam traçadas para manter a relevância da legenda no cenário político nacional.

Foto: Alex Loyola

 

 

 


Avatar

administrator