Líderes do Senado alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva chegaram a um acordo informal para não debater, por ora, a proposta de anistia aos réus dos atos de oito de janeiro. A avaliação é de que o tema deve, neste momento, ser tratado exclusivamente pela Câmara dos Deputados.
A decisão foi articulada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que não tem demonstrado interesse em pautar a matéria na Casa. Com isso, a pressão pela tramitação da anistia concentra-se atualmente na Câmara, liderada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), representante do partido de Bolsonaro.
Na última terça-feira, Sóstenes esteve no aeroporto de Brasília para colher assinaturas de parlamentares em apoio ao pedido de urgência na votação do projeto que concede anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos. Ele afirma já ter obtido duzentas e vinte e três das duzentas e cinquenta e sete assinaturas necessárias.
Apesar da mobilização, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), evita se comprometer com a votação. Embora defenda penas mais brandas aos envolvidos, Motta considera que discutir anistia neste momento pode agravar a tensão entre o Legislativo e o Judiciário.
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

