Matéria atualizada às 19h11

Por Marco Aurelio Carone

Até o momento, devido principalmente ao curto prazo, a campanha para eleição do próximo governador do Estado de Minas Gerais, não foi capaz de levar até o eleitorado, o que significará eleger um dos dois primeiros colocados nas pesquisas. Embora os dois tenham clara e gigantescas diferenças, principalmente em relação a realizações, questões sociais e função do Estado.

O atual ocupante do governo e candidato à reeleição Romeu Zema, adotou a estratégia de no espaço gratuito da TV e rádio, tecer críticas à administração de um ex-governador que sequer disputa as eleições majoritária e apresentar informações declaradas inverídicas pela Justiça Eleitoral.

Como candidato de gabinete, Zema não participou de qualquer evento popular, ou debate, a não ser de uma carreata no final desta semana, quando em cima de um trio elétrico acenava para o vento, dando a impressão que se tratava de uma coreografia para filmagens a serem exibidas na TV ou redes sociais.

Suas aparições relâmpagos como a ocorrida no Barreiro, em Belo Horizonte, acabou transformando-se em questão policial, quando um ambientalista que protestava contra a exploração mineral na Serra do Curral foi preso.

Como todo publicitário sabe, propaganda é extremamente eficiente para lançar um produto, porém a manutenção do consumo, neste caso a popularidade, depende da qualidade do mesmo, como diversos Cases negativos comprovam, quando rejeitado, a queda no consumo é catastrófica.

Alexandre Kalil, segundo colocado nas pesquisas, devido a necessidade de apresentar-se, pois pouco conhecido no interior de minas, como candidato de Lula, não teve tempo para levar ao público o que representara o seu governo em relação a continuidade do governo de seu concorrente, primeiro colocado nas pesquisas. Dando destaque apenas as consequências negativas da adesão ao regime de recuperação fiscal e a privatização das empresas públicas mineiras.

Os eleitores, embora para alguns marqueteiros são apenas números, que através de pesquisas são analisados, sabidamente em sua maioria votam acima das questões ideológicas e partidárias, dando importância às questões reais do seu dia a dia, que para maioria tem sido péssimas, somada a provável vitória de Lula, imaginam como será se o governador for da oposição ao presidente.

A estratégia de Zema em utilizar os prefeitos com alavancagem e manutenção de sua popularidade, atingiu seu prazo de validade, pois os mesmos serão obrigados a renderem-se a realidade, a provável vitória de Lula, caso contrário por morarem no município serão cobrados por sua opção nas ruas e até em sua casa. Algo diferente do que ocorre com os deputados e senador, que moram na capital do estado ou em Brasília.

Não por outro motivo que o experiente candidato Lula, em seus discursos nas manifestações ocorridas em Minas Gerais, pediu para que os eleitores procurassem saber o que o governo Zema tinha lhes beneficiado, ao estado e seus municípios, destacando que o seu candidato era o Kalil.

Como bem explicado pela psicologia, esta mensagem serviu de gatilho provocando o que agora acontece. A desidratação de Zema demonstrada nas pesquisas da última sexta-feira(23), em uma semana ocorreu uma queda de 5 pontos, caso prossiga a tendência, até o final desta semana ele estará com um índice inferior a 40% e o crescimento de Kalil chegara a 35%. Em função da margem de erro é provável que estarão tecnicamente empatados, levando a realização de um segundo turno.

Quando os candidatos poderão mostrar o que no primeiro turno não foi possível, o que será extremamente salutar para Minas Gerais.

Embora realizada entre 5 e 9 de setembro, só hoje (26), foram divulgados os dados da pesquisa do Data Tempo, em relação ao número de mineiros que ainda não escolheram seu candidato ao Governo de Minas Gerais. Na modalidade estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, 10,8% dos eleitores mineiros ainda não escolheram o candidato a governador, o que equivale a 1.759.414 de indecisos.

Atualmente, o Estado tem 16.290.870 pessoas aptas a votar. Já na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, o percentual de indecisos é ainda maior: 45,6% responderam que não sabem em quem vão votar para governador de Minas Gerais, o equivalente a 7.428.636 de eleitores.

O perfil dos mineiros indecisos que está em disputa pelos candidatos a governador é composto por 75,3% de mulheres e 64,2% de católicos, ambos majoritariamente eleitores de Lula, 51,9% possuem 45 anos ou mais, e 86,4% têm renda de até cinco salários mínimos. O que comprova a matéria do Novojornal: Minas Gerais é o estado onde as pessoas não falam, elas fazem.

A pesquisa DATATEMPO foi contratada pela Sempre Editora. Foram 1.500 entrevistas domiciliares. A margem de erro é de 2,53 pontos percentuais para mais ou para menos.

O intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04443/2022 e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) com o número MG-02856/2022.