A Global Sumud Flotilla encontra-se atualmente cercada e sob interceptação ativa por navios de guerra israelenses em águas internacionais, a aproximadamente 250 milhas náuticas da costa de Gaza. Este cerco militar marca o início de mais uma agressão ilegal em alto-mar, quatro dias após 54 embarcações civis terem levantado âncora de Marmaris para estabelecer um corredor humanitário e romper o cerco ilegal de Israel a Gaza. Quatro brasileiros estão a bordo: Ariadne Teles, organizadora e coordenadora da Global Sumud Brasil; Beatriz Moreira de Oliveira, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); Thainara Rogério, brasileira com cidadania espanhola; e Cassio, médico pediatra.
Um padrão de pirataria extrajudicial em alto-mar
Este confronto naval ativo é uma continuação direta do ataque militar israelense ilegal lançado há apenas duas semanas, na costa de Creta.
Durante a interceptação anterior, a mais de 650 milhas náuticas de Gaza, dentro da zona de Busca e Salvamento (SAR) da Grécia, as forças militares israelenses abordaram, sabotaram e sequestraram ilegalmente 181 defensores pacíficos dos direitos humanos em 21 embarcações civis, submetendo os participantes a detenção documentada, bem como a violência física e sexual. Ao interceptar a flotilha hoje, em um perímetro de 250 milhas náuticas e na zona SAR de Chipre, o regime israelense continua a demonstrar um desrespeito sistemático pelo direito marítimo internacional, pela liberdade de navegação em alto-mar e pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM).
Desmantelando o pretexto da propaganda fabricada.
Esta interceptação militar é consequência de uma campanha de propaganda coordenada, com duração de uma semana, veiculada por veículos de comunicação controlados pelo Estado israelense, incluindo o N12, e amplificada por seu próprio autoproclamado “iate da propaganda”, repleto de influenciadores que disseminam as narrativas do regime israelense. Essa estratégia estabelecida busca fabricar o consentimento para a prática de crimes de guerra e crimes contra a humanidade contra uma missão da sociedade civil desarmada e não violenta, composta por médicos, jornalistas e humanitários.
A equipe jurídica da Flotilha Global Sumud notificou formalmente a comunidade internacional de que os participantes estão completamente desarmados e que qualquer violência praticada nessas embarcações permanece sob a exclusiva responsabilidade legal do regime israelense e dos líderes do país que a permitem.
Investigações criminais estão em andamento em vinte países, e a responsabilização individual também será buscada em tribunais internacionais contra todas as forças que impõem esse cerco genocida.
Conectando o cerco: de Creta a Sirte
A interceptação naval da flotilha ocorre em paralelo com uma agressiva estratégia de contenção em terra, onde o Comboio Terrestre Global Sumud — composto por mais de 30 veículos, incluindo 7 ambulâncias especializadas e 20 casas móveis — parou perto de Sirte, na Líbia. As autoridades do leste da Líbia, agindo sob pressão política direta do Egito, posicionaram forças militares para bloquear a rota humanitária terrestre em direção a Rafah.
O direcionamento consecutivo tanto do componente marítimo quanto do terrestre da missão deixa claro que o cerco ilegal a Gaza se expandiu para uma arquitetura global de violência, ocupação e impunidade ampliada. Isso representa uma projeção extraterritorial da doutrina do “Grande Israel”, implantando influência política por procuração e força militar através de fronteiras internacionais soberanas para esmagar o apoio da sociedade civil à Palestina.

