O candidato ao governo de Minas Marcus Pestana (PSDB) admitiu, nesta terça-feira (30), que não descarta a possibilidade de privatizar algumas empresas estatais em um possível governo tucano.
O ex-deputado federal garantiu, no entanto, que pretende retirar algumas instituições do programa de privatizações proposto pelo atual governador e candidato à reeleição, Romeu Zema (Novo), a exemplo da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e da Companhia de Desenvolvimento do Estado (Codemge).
Pestana avalia que o principal foco da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e da Companhia de Saneamento do Estado (Copasa) devem ser prestar um bom serviço público independentemente de qual será o melhor caminho para garantir o melhor desempenho. O tucano quer selecionar equipes especializadas para conduzir as companhias com boas ideias.
“Eu não tenho pressuposto contra ou a favor da privatização. Eu sei o que eu não vou privatizar. A questão do serviço público tem que ter um certo pragmatismo. O consumidor não quer saber se a energia ou a água é gerada por uma empresa privada ou uma empresa pública”, argumentou o candidato durante o encontro que teve com o presidente do Conselho de Engenharia e Agronomia do Estado de Minas Gerais (Crea-MG), Lucio Borges, nesta terça-feira.
O ex-deputado federal foi o primeiro candidato ao governo de Minas a assinar a carta aberta da instituição, que reúne diretrizes técnicas sobre meio ambiente, urbanicidade, impacto das chuvas, alimentos, rodovias e valorização profissional da categoria.
“Toda questão tem que ser pensada a partir do contribuinte. A Copasa e a Cemig não dão prejuízo. Então, uma das vertentes que te leva a privatizar, não está presente. Eu pretendo adequar a máquina pública nos primeiros 6 meses. Eu vou contratar através do BDMG, que é uma empresa que não vou privatizar, os melhores consultores disponíveis no Brasil, para fazer a modelagem do setor. Se vai ser público ou privado não importa, é preciso pensar como ter um sistema eficiente com baixo custo”, avaliou o ex-deputado federal ao citar a política econômica do chinês Deng Xiaoping.
Na China, as empresas privadas foram permitidas em 1978 após a liberalização promovida pelo líder.
Questionado sobre as demais estatais, Pestana deixou claro sua discordância com a privatização. Segundo o candidato do PSDB, a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Epamig) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) também não serão vendidas se for eleito.
A declaração do tucano vai na contramão do plano de governo do partido Novo. Assim como em sua primeira eleição, Zema já deixou pública a intenção de privatizar empresas estatais, a exemplo da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), da Companhia de Saneamento do Estado (Copasa), além da Companhia de Gás (Gasmig), caso seja reeleito.
Na avaliação do ex-deputado federal, o projeto de governo de Romeu Zema pratica um liberalismo “tosco”. Segundo ele, privatizar a Codemig é um erro estratégico. A intenção de Pestana é recriar uma Secretaria de Desenvolvimento Urbano, assim como criar uma secretaria de Cultura independente no Executivo. Em 2019, o governador Romeu Zema fundiu as pastas da Cultura e do Turismo na esteira da reforma administrativa que promoveu.
“As pessoas ficam achando que obrigatoriamente a redução de uma secretária faz economia, mas isso é economia de palitos, porque os grandes agregados são a folha salarial, a previdência e a dívida. Às vezes, você une duas secretarias, sacrifica 5 ou dez cargos, faz a maior maquiagem, e você perde a identidade daquele setor. Tem que governar com austeridade, mas tem que ser com eficiência e organização”, afirmou Pestana que voltou a criticar a atual gestão promovida por Romeu Zema.
“As estatais que o Partido Novo colocou na lista de estudo para privatização é uma bobagem inominável. No caso da Codemig, o nióbio é um minério que vai se valorizar, é um minério do futuro, é uma burrice absoluta privatizar. Já a Codemge é uma administradora de contratos de direitos minerários, que só gera solução. A Epamig, Emater também são essenciais, é o desenvolvimento científico tecnológico na extensão rural. O Novo tem uma visão miúda, eles têm uma visão de um liberalismo tosco, que é entregar tudo para o mercado. Falta sensibilidade social e visão econômica”, alfinetou.

