Marcus Pestana, candidato do PSDB ao governo de Minas, voltou a criticar Romeu Zema (Novo), seu principal adversário, que tenta reeleição ao Executivo estadual. O tucano mirou no patrimônio multimilionário do atual governador e o associou a empresários do setor de mineração que explora a atividade no estado sem fiscalização.
“O Marco Legal é suficiente. O problema é operacional e de orientação. O governo Zema foi capturado por uma minoria de empresários. Empresários são essenciais: os pequenos, micros e médios. Mas, é um governo de um milionário orientado por meia dúzia de milionários que capturaram o sistema de controle ambiental”, disse Pestana em entrevista ao jornal Diário do Comércio.
Zema declarou mais de R$ 129 milhões em bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – um aumento de 86% em relação ao declarado em 2018. Empresário em diversos segmentos, a maior parte de sua riqueza advém de participações societárias em negócios de eletrodomésticos, imóveis, crediário e seguros.
Apesar de ter classificado como “legítimo o enriquecimento no setor privado”, Pestana acusou Zema de ter sido “capturado” por empresários do setor de mineração que não cumprem o Marco Regulatório implantado em 2020 após as tragédias de rompimento de barragens em Mariana (2015) e em Brumadinho (2019).
O tucano ressaltou sua experiência como vice-ministro do Meio Ambiente durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2002, e garantiu ser favorável à mineração no estado. “Isso não tem nada a ver com atitude antiempresarial. A palavra nova na agenda empresarial é ESG (ambiental, social e governança, em português). Só que meia dúzia de milionários têm uma visão liberal tosca e que defende na questão da sustentabilidade o “liberou geral””, acusou.
Em uma eventual volta da gestão do PSDB ao Palácio Tiradentes, Pestana afirmou que abrirá diálogo com o setor, mas ampliará a regulação e fiscalização da atividade.
“Não pode ter burocracia, não pode ter o empresário como adversário. Tem que ter diálogo e respeito, mas tem que ter rigor. Primeiro, a mineração precisa oferecer segurança. Nós tivemos duas tragédias inomináveis e inaceitáveis que ocorreram em Mariana e Brumadinho. Segundo, respeito ao meio ambiente. O outro nome do séc. XXI é desenvolvimento sustentável”, disse.

