O Partido dos Trabalhadores (PT) deposita grandes expectativas na chegada de Gabriel Galípolo ao comando do Banco Central, prevista para o início de 2025. De acordo com Lindbergh Farias, futuro líder do partido na Câmara dos Deputados, as prioridades do novo presidente do BC serão ampliar as intervenções no câmbio e adotar uma postura favorável ao governo em relação aos agentes de mercado.

Em entrevista à Coluna do Estadão, Lindbergh destacou que não há intenção de interferir diretamente na política monetária, mas afirmou que conter o câmbio é essencial neste momento. “Galípolo já sabe o que tem que fazer. Ele sabe que a questão central agora é conter o câmbio”, disse o deputado. Para ele, o atual cenário cambial, com o dólar acima de R$ 6, é artificial e prejudicial à economia.

A disparada do dólar tem impactado diretamente no preço dos alimentos, um fator que o PT considera decisivo para travar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Governistas avaliam que o desempenho do BC nas intervenções cambiais neste final de ano foi insuficiente, mesmo após um volume recorde de dólares ser injetado no mercado. “No governo Bolsonaro, essas medidas eram mais frequentes”, comparou Lindbergh.

Outro ponto destacado pelo líder petista é a necessidade de melhorar a percepção dos agentes financeiros sobre o governo. Segundo ele, a desconfiança do mercado reflete a falta de um discurso alinhado entre o Banco Central e a gestão Lula. O atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, é visto por petistas como responsável por transmitir uma visão desfavorável do governo.

Lindbergh acredita que Galípolo trará uma postura diferente e mais alinhada com os objetivos do governo, ajudando a reduzir os juros ao tranquilizar o mercado. “A intervenção no câmbio não é artificial. O que é artificial é o cenário atual”, reiterou o deputado, que também destacou a importância de fortalecer a responsabilidade fiscal.

Com um ambiente econômico mais favorável, o PT espera não apenas melhorar a imagem do governo, mas também pavimentar o caminho para a reeleição de Lula em 2026. “A expectativa é a melhor possível”, concluiu Lindbergh.

Foto: Gabriel Paiva

 


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