Na reta final do segundo turno destas eleições, o QG do presidente Jair Bolsonaro passou a ter dias de entusiasmo e otimismo com os rumos da campanha eleitoral.

Levantamentos dos principais institutos de pesquisa apontam um encurtamento da vantagem de Lula sobre Bolsonaro. A última pesquisa Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (19), mostra Lula com 52% dos votos válidos, ante 48% de Bolsonaro – os dois estão próximos no limite da margem de erro, que é de dois pontos percentuais.

Para integrantes do núcleo duro da campanha bolsonarista, esse movimento se deve aos efeitos do Auxílio Brasil, da recuperação da economia e da queda de preços – e do aumento à rejeição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resultado da estratégia do PL de resgatar a memória dos escândalos de corrupção do mensalão e do petrolão.

O QG bolsonarista também tem se empolgado com a expectativa de vitória do ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Freitas aparece com larga vantagem sobre o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) – 55% a 45% dos votos válidos, segundo a pesquisa mais recente do Datafolha.

Nesta quinta-feira, Bolsonaro se reúne com Tarcísio e o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), em evento com prefeitos e vereadores no ginásio do Canindé para convocar os aliados para aumentar a vantagem de Bolsonaro em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

À noite, Bolsonaro será recebido com pompa e tapete vermelho no hall nobre do Palácio dos Bandeirantes, onde está prevista uma “pizzada” com aliados.

Derrotado na disputa pela reeleição, Garcia pretende angariar mais votos para Bolsonaro nas cidades de maior parte da grande São Paulo, como São Bernardo e São Caetano, já que o presidente teve bom desempenho no interior no primeiro turno.

Os bolsonaristas mais entusiasmados avaliam que é possível ampliar a vantagem do atual ocupante do Palácio do Planalto sobre Lula para ao menos 15 pontos percentuais no Estado – no primeiro turno, o placar foi Bolsonaro com 47,71% dos votos, ante 40,89% do petista.

Aliados do presidente também têm comemorado que, em trackings encomendados pela própria campanha, o chefe do Executivo aparece à frente de Lula pela primeira vez desde o início da disputa eleitoral, conforme a equipe da coluna apurou com dois integrantes do núcleo duro do QG bolsonarista e um terceiro aliado do mandatário no Congresso.

A diferença entre Bolsonaro e Lula, nesses levantamentos, ainda é pequena – de cerca de dois pontos percentuais. É um placar apertado, mas que já foi suficiente para melhorar o ânimo de bolsonaristas, que foram obrigados nos últimos dias a apagar o incêndio provocado no episódio do “pintou um clima” com meninas venezuelanas.

Na guerra dos “trackings”, até mesmo a campanha do PT tem em mãos números que mostram que encurtou radicalmente a vantagem de Lula sobre Bolsonaro em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País.

No primeiro turno, Lula obteve 560 mil votos a mais que Bolsonaro entre os mineiros – 48,29% a 43,60%, um resultado muito parecido com o nacional, que foi de 48,43% a 43,20%.

Tanto lulistas quanto bolsonaristas consideram Minas peça-chave no mapa eleitoral, já que desde a redemocratização, todos os presidentes escolhidos pelo voto popular venceram no Estado.

Apesar da euforia por ora, até os bolsonaristas mais radicais estão convencidos de que a eleição vai ser definida por um placar apertadíssimo – há quem estime uma diferença de apenas 3 milhões de votos, inferior a vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre Aécio Neves (PSDB), em 2014, de 3,5 milhões de votos.

Vai ser uma carnificina”, resume um senador bolsonarista.


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