O Governo de Minas anunciou a regulamentação técnica do Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí, permitindo a comercialização do produto em todo o país. A medida foi oficializada na segunda-feira (30/3), em São Pedro do Suaçuí, no Leste do estado, com a assinatura do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade, que estabelece padrões para produção, segurança sanitária e comercialização.

Com a regulamentação, o queijo passa a contar com padronização da receita e formalização da cadeia produtiva, o que garante melhores condições para os produtores ampliarem sua atuação no mercado. Para a venda em outros estados, será necessário o registro sanitário junto ao Ministério da Agricultura, por meio do SIF, do Selo Queijo Artesanal ou do SISBI.

Produzido há cerca de cinquenta anos, o queijo da região possui características próprias, com massa submetida a temperaturas de até quarenta e cinco graus Celsius, o que resulta em uma consistência semidura e sabor semelhante ao parmesão. A expectativa é que aproximadamente duzentos produtores sejam beneficiados diretamente com a nova regulamentação.

Segundo o subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Secretaria de Agricultura, Gilson Sales, a medida elimina barreiras que dificultavam a comercialização formal do produto. Ele destaca que, até então, muitos produtores enfrentavam limitações para acessar mercados fora da região.

A cadeia produtiva do queijo no Vale do Suaçuí reúne sessenta e seis agroindústrias, com predominância da agricultura familiar. A produção anual ultrapassa seiscentas e setenta e oito toneladas, evidenciando a importância econômica da atividade para a região.

Para o secretário de Agricultura, Thales Fernandes, a regulamentação vai além do setor produtivo e deve impulsionar o desenvolvimento regional. Ele ressalta que o reconhecimento do queijo fortalece o turismo e a gastronomia local, valorizando a identidade cultural do território.

O processo de regulamentação foi conduzido pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com apoio de instituições públicas. A Emater-MG realizou estudos que comprovaram o vínculo cultural da produção, enquanto a Epamig-MG desenvolveu pesquisas para identificar as características do produto. Já o Instituto Mineiro de Agropecuária ficou responsável pela definição das normas técnicas.

A tradição do queijo artesanal do Vale do Suaçuí remonta à década de mil novecentos e oitenta, quando um profissional do setor de laticínios introduziu a técnica de produção semelhante ao parmesão na região. O método foi rapidamente adotado pelos produtores locais, principalmente por permitir maior durabilidade do produto.

O produtor Francélio Fernandes Otoni mantém a tradição iniciada por sua família. Ele produz cerca de mil quilos de queijo por mês, parte destinada a estabelecimentos comerciais e o restante vendido diretamente a consumidores. Para ele, a regulamentação representa a oportunidade de ampliar mercados e agregar valor ao produto.

Também produtora, Ester Jardim dos Anjos destaca que a nova fase pode transformar a realidade dos produtores. Ao lado da família, ela fabrica cerca de setecentos quilos mensais e acredita que a regularização permitirá alcançar novos centros consumidores com melhores preços.

Além de São Pedro do Suaçuí, a produção está concentrada em municípios como Santa Maria do Suaçuí, José Raydan, Água Boa e São Sebastião do Maranhão. A expectativa é que a regulamentação fortaleça toda a cadeia produtiva e consolide o queijo como um produto competitivo no mercado nacional, ampliando oportunidades para os produtores e impulsionando o desenvolvimento regional.

Foto: Diego Vargas


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