A redução da jornada de trabalho no modelo 6 x 1 pode estimular o empreendedorismo, ampliar a geração de renda e fortalecer a economia, segundo avaliação do ministro Paulo Pereira. Em entrevista nesta terça-feira, ele afirmou que a proposta, além de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, pode criar ambiente favorável para novos negócios e iniciativas autônomas.

Segundo o ministro, a possibilidade de 2 dias de descanso por semana ampliaria o tempo livre das pessoas e abriria espaço para atividades complementares de renda, qualificação profissional e até transição de carreira.

Na avaliação dele, a lógica da proposta está conectada ao próprio espírito do empreendedorismo. “A busca por autonomia”, afirmou, é um dos motores para que trabalhadores desenvolvam pequenos negócios ou busquem novas formas de atuação econômica.

O ministro disse não ver incompatibilidade entre a redução da escala 6 por 1 e a atividade empreendedora. Pelo contrário, sustentou que o novo modelo pode impulsionar trabalhadores a utilizar o tempo disponível para serviços, comércio digital, aplicativos ou outras iniciativas independentes.

Segundo Paulo Pereira, a medida pode ter efeito positivo também sobre o mercado interno, ao elevar consumo e criar novas dinâmicas econômicas.

O impacto, segundo ele, tende a ser especialmente relevante entre trabalhadores de menor renda, que frequentemente enfrentam longos deslocamentos e jornadas mais exaustivas. Nesse grupo, argumenta o ministro, a ampliação do tempo disponível pode significar mais oportunidades para geração complementar de recursos.

Ele também rebateu críticas de setores contrários à proposta, afirmando que resistências atuais repetem discursos históricos usados contra avanços sociais e trabalhistas.

Na avaliação do ministro, argumentos sobre perda de produtividade ou colapso econômico já surgiram em momentos como implantação do salário mínimo, férias remuneradas e 13º salário, sem se confirmarem.

Apesar do discurso favorável, Paulo Pereira reconheceu possibilidade de impactos em parte do setor produtivo e afirmou que o governo trabalha em mecanismos para mitigar eventuais efeitos.

Segundo estimativas do governo, entre 10% e 15% dos empreendedores poderiam sentir algum impacto com a mudança. Em universo próximo de 45 milhões de pessoas, isso representaria algo entre 4 milhões e 5 milhões potencialmente afetados.

Para esses casos, o governo avalia medidas compensatórias. Entre as alternativas citadas pelo ministro estão benefícios fiscais, ampliação de crédito e apoio específico para segmentos mais sensíveis à transição.

Segundo ele, a intenção é construir modelo que preserve os ganhos sociais da mudança sem desamparar empreendedores que possam enfrentar custos adicionais.

Nos bastidores, integrantes do governo têm defendido que a proposta da nova jornada seja acompanhada por políticas de transição, evitando que pequenos negócios tenham dificuldade de adaptação.

A discussão sobre a escala 6 por 1 vem ganhando espaço no debate público e mobiliza setores empresariais, sindicatos e integrantes do Congresso. Defensores argumentam que a mudança pode atualizar relações de trabalho e aproximar o Brasil de experiências internacionais.

Críticos, por outro lado, alertam para impacto sobre custos operacionais e produtividade em determinados setores.

Ao reforçar o vínculo entre redução de jornada e empreendedorismo, o ministro buscou inserir novo argumento no debate: o de que mais tempo livre pode significar não apenas descanso, mas também criação econômica.

Segundo ele, a mudança pode transformar parte do tempo hoje consumido pela jornada tradicional em oportunidade para inovação, trabalho autônomo e expansão de renda, com reflexos para o conjunto da economia.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


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