O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira, afirmou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro seria bem recebida pela legenda caso decida mudar de partido no futuro. A declaração ocorre em meio às especulações sobre o destino político de Michelle após sua saída da presidência do PL Mulher e reforça o interesse do Republicanos em atrair uma das principais lideranças conservadoras do país.

Em entrevista ao jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, Pereira disse que não existe negociação formal em andamento, mas ressaltou que Michelle seria “muito bem-vinda” ao partido. Pela legislação eleitoral, uma eventual filiação somente poderá ocorrer após as eleições, já que candidatos precisam estar vinculados à legenda com antecedência mínima de seis meses em relação ao pleito.

A manifestação do dirigente foi feita dois dias depois de Michelle deixar o comando do PL Mulher, em meio à crise provocada pelo conflito com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República.

O episódio ganhou repercussão nacional depois que a ex-primeira-dama divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando ter sido desrespeitada pelo enteado durante discussões sobre os palanques estaduais da campanha. O principal motivo do desentendimento foi o apoio de Flávio à candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará, decisão criticada por Michelle, que defendia um nome mais alinhado ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Após a divulgação do vídeo, Flávio Bolsonaro pediu desculpas publicamente e afirmou que jamais teve a intenção de ofender Michelle. Nos bastidores, dirigentes do PL e o próprio Jair Bolsonaro passaram a atuar para reduzir os efeitos da crise e impedir que o episódio prejudicasse a campanha presidencial do partido.

Mesmo com as tentativas de pacificação, o desgaste abriu espaço para a aproximação de outras legendas. No Republicanos, lideranças como a senadora Damares Alves e a ex-ministra Cristiane Britto passaram a defender a entrada de Michelle na sigla, destacando sua influência junto ao eleitorado conservador.

Nos últimos anos, Michelle consolidou protagonismo político ao comandar o PL Mulher e ampliar sua presença entre o eleitorado evangélico e feminino, segmentos considerados estratégicos nas eleições de 2026. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta semana mostrou que 38,6% dos entrevistados acreditam que a ex-primeira-dama tornou pública a disputa com Flávio para fortalecer uma eventual candidatura presidencial. Ao mesmo tempo, 55,4% consideram importante ou muito importante sua participação na campanha do senador, indicando que ela mantém influência significativa no cenário político nacional.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


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