O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um documento de 86 páginas no qual pede que o governo norte-americano suspenda a proposta de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. Na manifestação, o parlamentar afirma que a adoção das sobretaxas produziria efeito político contrário ao esperado por Washington, fortalecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vez de enfraquecer sua posição perante a opinião pública brasileira.
Segundo Flávio, a imposição das tarifas seria utilizada pelo governo brasileiro como argumento para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional diante de pressões externas. Na avaliação do senador, isso representaria exatamente o resultado que a administração norte-americana deveria evitar caso pretenda pressionar o governo brasileiro em relação aos temas investigados.
O parlamentar sustenta que a sobretaxa acabaria atingindo principalmente exportadores brasileiros, empresas norte-americanas que importam produtos do Brasil, consumidores dos Estados Unidos e brasileiros que defendem uma relação mais próxima entre os dois países. Para ele, as medidas comerciais não alcançariam diretamente as autoridades brasileiras criticadas pelo governo americano.
Ao longo do documento, Flávio afirma que o governo Lula transformou o embate diplomático e comercial com os Estados Unidos em um ativo político interno. Segundo o senador, pesquisas de opinião indicariam que momentos de maior tensão entre os dois países acabaram fortalecendo eleitoralmente o presidente brasileiro, motivo pelo qual uma nova rodada de tarifas produziria efeito semelhante.
Na conclusão do texto encaminhado ao USTR, o parlamentar afirma que a proposta de sobretaxação daria ao atual governo brasileiro “exatamente a vitória política que ele vem buscando”, ao mesmo tempo em que prejudicaria a economia norte-americana e os brasileiros favoráveis ao fortalecimento da parceria entre Brasília e Washington.
O senador também argumenta que o próprio governo dos Estados Unidos definiu como alvo de suas críticas determinadas ações atribuídas ao governo brasileiro e decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entretanto, segundo ele, uma tarifa ampla sobre produtos brasileiros não atingiria essas autoridades, recaindo sobre empresas, trabalhadores e consumidores.
Como alternativa, Flávio propõe que a aplicação das tarifas seja suspensa enquanto Brasil e Estados Unidos mantenham um processo formal de negociação bilateral. A sugestão é que as conversas tratem dos seis temas investigados pelo USTR: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro de etanol e desmatamento ilegal.
Na manifestação, o senador afirma que a manutenção do diálogo permitiria preservar as relações comerciais entre os dois países sem impedir que Washington adote medidas futuras caso considere insuficientes os avanços obtidos nas negociações.
Outro ponto destacado no documento é que, caso as autoridades norte-americanas entendam existir irregularidades praticadas por agentes públicos brasileiros, o mais adequado seria aplicar medidas direcionadas, como restrições de vistos ou sanções individuais. Segundo Flávio, essas iniciativas atingiriam diretamente os responsáveis pelas condutas questionadas, evitando impactos econômicos mais amplos sobre empresas e consumidores.
O parlamentar participará, na próxima segunda-feira, de audiência pública promovida pelo USTR em Washington. A sessão integra o processo de consulta realizado antes da decisão definitiva sobre a eventual aplicação das tarifas. Flávio solicitou cinco minutos para discursar na condição de representante do Senado Federal e pré-candidato à Presidência da República.
No pedido de inscrição, o senador informou que discutiu o assunto diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo ele, sua participação terá como objetivo defender uma solução negociada para as divergências comerciais e apresentar argumentos favoráveis à preservação da parceria econômica entre os dois países.
Além disso, aliados do parlamentar afirmam que ele pretende defender o Pix durante a audiência pública. O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos está entre os temas analisados pelo USTR, que também investiga questões ligadas ao comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e políticas ambientais. A decisão do governo norte-americano sobre a adoção ou não das novas tarifas deverá ser anunciada até o próximo dia 15 de julho, cerca de uma semana após a realização da audiência pública em Washington.
Foto: Reprodução

