O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, fez um apelo nesta quinta-feira por um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, em meio à escalada do conflito na região. O posicionamento de Austin ocorreu após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ter negado as reportagens que sugeriam a iminência de um acordo para cessar as hostilidades no Líbano.

“Deixe-me ser claro: Israel e o Líbano podem escolher um caminho diferente“, afirmou Austin em uma coletiva de imprensa realizada em Londres. Apesar dos confrontos violentos nos últimos dias, ele destacou que “uma solução diplomática ainda é viável” e é o único meio de garantir que civis desabrigados em ambos os lados da fronteira possam voltar para suas casas.

O secretário de Defesa também alertou sobre os riscos de uma ampliação do conflito, reafirmando que os Estados Unidos estão preparados para proteger suas forças no Oriente Médio. “Ninguém deve tentar explorar esta crise ou expandir o conflito contra as forças dos EUA na região”, disse Austin, destacando que o país permanece alerta e posicionado para defender seus interesses.

Austin sugeriu que um cessar-fogo entre Israel e Hezbollah poderia abrir espaço para negociações sobre uma trégua entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. A proposta de um cessar-fogo de 21 dias recebeu apoio de aliados dos EUA, incluindo o secretário de Defesa britânico, John Healey, e o ministro da Defesa australiano, Richard Marles, que também endossaram a ideia. Healey declarou que Israel indicou estar “preparado para aceitar” a proposta de cessar-fogo.

O conflito entre Israel e Hezbollah intensificou-se após o início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, quando o Hamas, aliado do Hezbollah, invadiu o território israelense, matando centenas de pessoas e capturando reféns. Desde então, Israel lançou uma série de ataques aéreos no Líbano, incluindo na capital Beirute, com o objetivo de atingir alvos do Hezbollah.

Na segunda-feira (23), Israel enfrentou seu dia mais letal desde a guerra de 2006, com mais de 500 vítimas fatais. Milhares de pessoas no Líbano e no norte de Israel foram forçadas a deixar suas casas devido aos bombardeios. O primeiro-ministro Netanyahu prometeu que os cidadãos israelenses deslocados retornariam para suas casas, colocando esse objetivo como uma prioridade oficial de guerra desde 17 de setembro.

O impacto humanitário do conflito tem sido severo. No Líbano, muitos habitantes fugiram para abrigos em busca de segurança, enquanto a população de Gaza também foi forçada a abandonar suas residências em meio à ofensiva israelense. Entre as vítimas, um adolescente brasileiro de 15 anos morreu em um ataque aéreo israelense, levando o governo brasileiro a condenar a situação e pedir o fim das hostilidades, além de considerar uma missão de resgate.

A possibilidade de uma incursão terrestre por parte de Israel no Líbano não foi descartada, o que aumenta a preocupação com uma escalada ainda maior do conflito.


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