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Representantes das forças de segurança de Minas Gerais, que deflagraram paralisação no início da semana passada, se preparam para conversar, nesta quinta-feira (3/3), com a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Luísa Barreto.

Mesmo após o governador Romeu Zema (Novo) anunciar reajuste de 10,06% a todo o funcionalismo público, a categoria não abre mão do acordo firmado em 2019, que tratava da recomposição salarial das perdas inflacionárias em três parcelas – uma de 13% e duas de 12%.

Nesta quarta (2), lideranças sindicais se reuniram para alinhar o discurso rumo à reunião com Luísa Barreto. Paralelamente, há movimentação para arquitetar uma grande manifestação na próxima quarta (9).

A ideia é utilizar o protesto como uma espécie de resposta ao poder Executivo caso não haja avanços na negociação até lá.

A negociação está prevista para ocorrer às 10h, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. A esperança é que a reunião sirva para começar a aparar as arestas entre as partes.

“Se ela [Luísa Barreto] vier credenciada a negociar, para nós, é excelente. Mas, se ela vier somente para escutar e falar aquilo que estamos cansados de ouvir – que o governo não tem dinheiro, que o governo é ‘isso ou aquilo’ – vamos entrar mudos e sair calados”, diz, ao Estado de Minas, o sargento Marco Antônio Bahia. Ele é presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra-MG).

Procurado pela reportagem, o Palácio Tiradentes informou apenas o horário da reunião e que o encontro será fechado.

Além da reposição salarial nos termos acordados há quase três anos, as forças de segurança querem que Zema desista de tentar emplacar a adesão de Minas Gerais ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O plano, pensado pela União para aliviar estados com problemas financeiros, é a esperança da atual administração para renegociar dívida que está em torno de R$ 140 bilhões.

Em que pese as dificuldades no fluxo de caixa, servidores temem prejuízos a carreiras do funcionalismo. Aline Risi, Associação dos Escrivães da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Aespol-MG), afirma que o movimento vai continuar se a gestão Zema não emitir sinais de que está disposta a negociar.

“É a primeira vez que vamos sentar e conversar a respeito disso. Se o governo conceder o que pedimos – e vamos reforçar nossas reivindicações – aí, sim, começamos o diálogo”, explica ela, que atua também na Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol).

Na última sexta (25), um dia depois da oferta de reajuste de 10%, a segurança pública organizou manifestação na Cidade Administrativa. À época, lideranças não descartavam a possibilidade de aquartelamento militar; depois, quando o governo convidou as lideranças para conversar, as tropas foram orientadas a esperar.

Segundo Bahia, a permanência dos militares nos quartéis pode, sim, acontecer na próxima semana.

“Se o governo avançar no diálogo e conceder a recomposição salarial, a gente desmobiliza a tropa. Se não houver, [no] dia 9, tenho absoluta certeza que é um perigo de haver aquartelamento e, realmente, o endurecimento de uma crise institucional”.

O ato da próxima semana ainda tem os detalhes costurados. Estimativas das lideranças calculam a possibilidade da participação de 50 mil pessoas, impulsionadas por caravanas vindas do interior.

A Praça da Estação, no Centro de BH, é um dos locais estudados para ser o ponto de partida da marcha. Os rumos do evento, no entanto, serão norteados pela expectativa de público.


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