Mais de duzentos deputados federais já assinaram, até a manhã desta quarta-feira, o requerimento de urgência para a tramitação do projeto de lei que concede anistia aos envolvidos nos atos de oito de janeiro. A proposta tem sido liderada pela oposição, que no último fim de semana esteve ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em uma manifestação em São Paulo.
O que chama atenção é que o tema rompeu as barreiras da oposição e ganhou apoio significativo de parlamentares de partidos que integram a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo levantamento, setenta e seis dos signatários pertencem a siglas com ministérios no primeiro escalão do governo: União Brasil (vinte e três), Republicanos (quatorze), PP (quatorze), MDB (treze) e PSD (doze).
Embora estejam em partidos aliados, muitos desses deputados mantêm posturas críticas ao Palácio do Planalto, como é o caso de Rosangela Moro (União-PR), esposa do senador Sergio Moro. Outros, como Otoni de Paula (MDB-RJ), já manifestaram disposição para dialogar com o governo. Gilberto Nascimento (PSD-SP), vencedor da disputa pela liderança da bancada evangélica, teve apoio da ala bolsonarista.
As legendas citadas têm forte presença no Executivo. O União Brasil comanda o Ministério do Turismo (Celso Sabino) e pode reassumir as Comunicações. O PSD comanda Agricultura (Carlos Fávaro), Pesca (André de Paula) e Minas e Energia (Alexandre Silveira). Já o MDB tem Planejamento (Simone Tebet), Transportes (Renan Filho) e Cidades (Jader Filho). Republicanos e PP controlam, respectivamente, Portos e Aeroportos (Silvio Costa Filho) e Esportes (André Fufuca).
A meta da oposição é reunir duzentas e cinquenta e sete assinaturas — número necessário para protocolar a urgência. Desde terça-feira, a lista de apoiadores passou a ser mantida em sigilo para evitar pressões externas sobre os deputados indecisos.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência

