Após pouco mais de três horas de discussão, o grupo de estudiosos e defensores da causa ambiental ligado à Unesco no Brasil encerrou, na noite desta quinta (2), o fórum sobre o risco de perda do título de patrimônio da humanidade por parte da Serra do Curral em razão da mineração no local. O documento que reúne informações da reunião desta noite será consolidado até a próxima semana.

O monumento, localizado nas cidades de Belo Horizonte, Nova Lima e Sabará, na Grande BH, teve mediação comandada pelo arquiteto Leonardo Castriota, que é vice-presidente do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O intuito da reunião, que contou com conselheiros do Brasil, Argentina e Uruguai, foi abrir espaço para a apresentação oficial de sugestões de comandos para envio à Taquaril Mineração S.A (Tamisa) – empresa que teve licenciamento ambiental concedido pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) para exploração da Serra no fim de abril deste ano.

Entre os participantes, foi ouvida a fala da ambientalista, professora do projeto Manuelzão da UFMG e coordenadora do ‘Tira o Pé da Minha Serra’, Jeanine Oliveira, que defendeu a criação do parque ecológico metropolitano.

O evento, realizado em meio virtual, excedeu o horário e Castriota definiu que a comissão do Icomos estude todas as propostas apresentadas e apresente um documento final até a próxima segunda-feira (6). As sugestões serão encaminhadas para a Tamisa, além da imprensa e de órgãos públicos, sendo ainda avaliada a necessidade de uma denúncia em autoridade competente.

“Agora, com a nossa comissão de especialistas, nós vamos nos reunir, analisar os documentos que a gente já tem, vamos levar em consideração as falas de hoje, as sugestões, e pedimos àqueles que não falaram, que nos mandem as propostas de recomendação. Nós não vamos encerrar isso hoje”, disse Castriota.

Segundo ele, após o envio das sugestões, a mineradora terá 30 dias para avaliá-las. Se forem aceitas, o Alerta Patrimonial (aviso internacional sobre risco) atualmente em vigor será retirado. Se não forem aceitas, o núcleo entregará o documento à Unesco, o que poderá culminar na perda do título.

Por que a Serra do Curral pode perder o título?

O título de Patrimônio da Humanidade está em risco por conta das consequências da atividade minerária no cartão-postal de Belo Horizonte. Castriota comenta que a Serra é Patrimônio Cultural Nacional, desde 1961, e de Belo Horizonte.

“Ela faz parte da Serra do Espinhaço que é reserva da biosfera da Unesco. [A exploração de minério] pode descaracterizar a reserva natural e, por conta disso, a perda do título concedido em 2005”, finaliza.