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Após ter sido citado mais de uma vez pelo próprio  como um provável vice na chapa que vai disputar as eleições de 2022, cada vez mais o nome do general da reserva e ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto vai perdendo espaço para a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina.

De acordo com a colunista Juliana Dal Piva, líderes do PL, PP e Republicanos, coalizão que sustenta a candidatura presidencial, estariam fazendo pressão para que ela ocupe a vaga.

Um dos objetivos seria que Bolsonaro pudesse ganhar pontos junto ao eleitorado feminino. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem 49% dos votos neste segmento, contra 23% de Bolsonaro. Outros levantamentos também mostram alta rejeição ao atual presidente entre as mulheres.

Nesse aspecto, a estratégia poderia surtir algum efeito? “Infelizmente, pode sim”, acredita a cientista política e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mayra Goulart.

“Mas temos que fazer aquela ressalva: Tereza Cristina, em seu corpo, nos representa como mulher, mas não nos representa substantivamente, não tem um discurso que visa fazer políticas para este segmento”, pontua, em entrevista ao Jornal Brasil Atual.

“Ela pode, através desse vínculo de identificação imediata, representar mulheres. Pode ajudar também por ter baixa rejeição, diferentemente do Braga Netto que, por ser militar, já tem uma rejeição intrínseca”, pontua.

Uma vice da política tradicional

Mayra Goulart observa ainda que a possível composição de chapa com a ex-ministra de vice representa mais uma sinalização efetiva de Bolsonaro aos círculos políticos que, discursivamente, o presidente tanto atacou, em especial na campanha eleitoral de 2018.

“O interessante da escolha da Tereza Cristina, caso ela aconteça, é que vai consagrar a vitória do Centrão e dessa forma tradicional de fazer política, em detrimento de formas mais ideologizadas, como é o caso dos militares e o componente de radicalização que eles carregam”, pondera.

“Braga Netto seria um representante desse campo militar, que apoiaria Bolsonaro no caso de uma radicalização anti-sistêmica, mas seu nome também oferece uma base eleitoral que são esses segmentos identificados com o militarismo. No caso da Tereza Cristina, ela representa não só uma possibilidade de apoio feminino como uma garantia de apoio parlamentar.”

Na quarta-feira (15), em entrevista à jornalista Leda Nagle, Bolsonaro disse que “está praticamente acertado o nome”, mas que ainda não revelou “para ninguém”. Mas, na sequência, afirmou que “o martelo ainda não está batido”.

“Querem fazer briga aí, homem e mulher, isso que querem fazer. Vão querer falar que prefiro não uma mulher, mas um homem, ou então tumultuar o que já estou fazendo em Brasília”, comentou.

 


Paola Tito

editor

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