O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) solicitou à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que inclua os testes de varíola dos macacos (Monkeypox), além do tratamento da doença, no rol de procedimentos das operadoras de saúde.

Paralelamente, o Senado aprovou, na última segunda-feira (29/8), um projeto de lei que obriga os planos de saúde a cobrir tratamentos que não estejam incluídos no rol da ANS. A proposta passou em votação simbólica, sem manifestações contrárias, e segue para a sanção presidencial, após já ter sido aprovada na Câmara.

Melissa Valentini, infectologista do Grupo Pardini, rede de medicina diagnóstica com atuação em todo o país, alerta que o número de casos vem crescendo aceleradamente no Brasil, a testagem para a doença ainda não é oferecida de forma ampla no país e a vacina não está disponível por aqui.

“O aumento dos casos de monkeypox exige diagnóstico mais rápido e preciso. Neste momento, é importante ampliar o acesso ao teste para diagnóstico diferencial de outras doenças. Os sintomas da monkeypox se assemelham aos de outras doenças, que evoluem com lesões vesicopustulosas como varicela-zóster, herpes-zóster, herpes simples, molusco infeccioso e reações alérgicas”, explica.

“E também se confundem com infecções sexualmente transmissíveis (IST’s), especialmente infecção gonocócica, sífilis primária ou secundária, cancróide, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal. Só o exame pode dar o diagnóstico correto”, acrescenta a especialista.

Segundo dados da rede de laboratórios, da semana epidemiológica 32 (de 7/8 a 13/8) para a semana epidemiológica 33 (de 14/8 a 20/8), houve um aumento na demanda de testes de 80%. Já na semana epidemiológica 34 (21/8 a 27/8), o aumento no número de teste foi de 30% em relação à semana 33; e a positividade foi de 21, 4%.

Os dados mostram ainda, um aumento de positividade nas regiões Sul e Centro-Oeste; e queda na Região Sudeste. Quando analisamos o perfil dos pacientes positivos, a maior incidência, quase 70%, é do público masculino e 50% na faixa etária entre 25 e 39 anos.

Melissa Valentini enfatiza que o diagnóstico precoce permite que o paciente siga as recomendações de isolamento. Por isso, o exame deve ser feito o quanto antes. Ela reforça ainda que pessoas com erupção cutânea sugestivas devem ser investigadas e testadas para diagnóstico da monkeypox, mesmo que outros testes para diferentes doenças também sejam positivos.

 

“A infecção pela varíola dos macacos associada a outras IST’s foi observada em 29% das pessoas testadas, segundo estudo britânico publicado no The New England Journal of Medicine. Sífilis, gonorreia e clamídia foram as doenças mais prevalentes”, esclareceu a infectologista.

 

De acordo com a médica, além do isolamento por parte de pacientes infectados, a testagem possibilita ainda o rastreio de contatos e a notificação às autoridades sanitárias. “A única maneira de conter a transmissão da varíola dos macacos é testando e rastreando os contatos próximos. Os infectados precisam se isolar”, alerta.