Uma denúncia sobre possível contaminação por material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, localizado na Cidade Universitária, em São Paulo, mobilizou entidades representativas de trabalhadores e levou a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear a solicitar informações detalhadas sobre o caso. O episódio ocorreu em uma área do Centro de Radiofarmácia da instituição e passou a ser analisado pelos órgãos responsáveis pela fiscalização das atividades nucleares no país.

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear informou que iniciou o procedimento técnico de apuração, solicitando registros e documentos para avaliar as circunstâncias da ocorrência. O objetivo é verificar se todos os protocolos de segurança foram cumpridos e identificar eventuais riscos relacionados ao incidente.

A situação foi inicialmente denunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo e pela Associação dos Servidores do Ipen. As entidades encaminharam pedidos de esclarecimento à direção do instituto e à Comissão Nacional de Energia Nuclear, manifestando preocupação com os relatos envolvendo possível exposição de trabalhadores a material radioativo.

Em nota oficial, a Comissão Nacional de Energia Nuclear confirmou que o episódio foi registrado em relatório interno elaborado por especialistas em proteção radiológica. Segundo a comissão, o incidente envolveu a presença de traços de tecnécio noventa e nove durante procedimentos realizados em uma autoclave utilizada na produção de radiofármacos.

De acordo com a CNEN, dois trabalhadores classificados como indivíduos ocupacionalmente expostos passaram por exames específicos para verificar eventual contaminação interna. Os resultados indicaram níveis considerados baixos e, segundo a análise técnica, não houve absorção interna do material radioativo. A comissão afirmou ainda que a contaminação permaneceu restrita à área controlada do Centro de Radiofarmácia.

Apesar das explicações apresentadas pelos órgãos responsáveis, representantes dos trabalhadores afirmam que o episódio gerou preocupação devido à necessidade de adoção de medidas emergenciais de descontaminação. Segundo o sindicato, houve retenção de roupas utilizadas por servidores e terceirizados, além da atuação da equipe de proteção radiológica para controlar a situação.

As entidades também questionam informações de que parte dos procedimentos de descontaminação teria sido realizada em locais não destinados especificamente para esse tipo de atendimento. Para os representantes dos trabalhadores, essa circunstância levanta dúvidas sobre as condições da infraestrutura disponível e sobre a adequação dos protocolos adotados.

O sindicato solicita transparência total na divulgação dos fatos, incluindo detalhes sobre o material envolvido, o número de trabalhadores potencialmente afetados, os níveis detectados e os riscos à saúde. A entidade também relaciona o episódio a problemas estruturais que, segundo seus dirigentes, vêm afetando o instituto nos últimos anos.

Entre as críticas estão a redução do quadro de pessoal, limitações orçamentárias e dificuldades na manutenção de equipamentos e instalações. Os trabalhadores afirmam ainda que servidores que atuam diretamente com materiais radioativos estariam com exames médicos periódicos atrasados.

A Universidade de São Paulo esclareceu que, embora o instituto funcione dentro da Cidade Universitária, sua gestão técnica e administrativa é responsabilidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Enquanto as investigações prosseguem, o caso permanece sob acompanhamento das autoridades responsáveis pela segurança nuclear brasileira.

Foto: Roberto Fraga/Ipen


Avatar

administrator

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *