A Vale começou as obras para aumentar a capacidade de vazão da Estrutura de Contenção a Jusante (ECJ) da barragem B3/B4, em Macacos, no município de Nova Lima (MG). A estrutura está em risco e, desde 2019, centenas de moradores do entorno tiveram que sair de suas casas por segurança, enquanto aguardam o descomissionamento.
Segundo informado pela Vale na manhã desta sexta-feira (1º), serão construídos três túneis, com objetivo de reduzir o volume de água acumulada na estrutura em períodos de chuva intensa, como as ocorridas em janeiro deste ano. Na ocasião, a população local sofreu com fortes enchentes.
“A Vale construiu um muro enorme em Macacos para evitar que, em caso de rompimento da estrutura, os rejeitos cheguem ao rio. A estrutura acabou levando a um acúmulo de água e enchente em Macacos nas chuvas deste ano”, afirma o integrante do movimento dos Atingidos por Barragens, Guilherme Camponês.
Em nota, a Vale explica que a estrutura em construção pela mineradora foi “projetada para permitir a passagem do fluxo da água a partir de seu vertedouro e sistema de comportas. Os novos túneis irão aumentar a capacidade de escoamento de água”. A promessa é que os trabalhos sejam finalizados neste ano e que a empresa adotará “todas as medidas necessárias para reduzir os impactos à comunidade”.
Dentre as medidas adotadas de imediato estão a não circulação de caminhões para transporte de materiais nas ruas do distrito de Macacos e os acessos internos em área da empresa serão umectados para controlar a emissão de poeira. Além disso, atividades que geram ruídos não serão realizadas após as 22 horas.
A Vale explica que a estrutura de contenção construída para a barragem B3/B4 faz parte do programa de descaracterização de barragens da empresa e segue a normativa da Agência Nacional de Mineração que pede a adoção de medidas para mitigar possíveis impactos em um eventual rompimento. As estruturas servem para conter os rejeitos em caso de uma tragédia.
Segundo Camponês, enquanto as obras acontecem, centenas de pessoas aguardam um desfecho para o retorno para suas residências. “Primeiro, a Vale deixou essas famílias em um hotel em Macacos mesmo para que elas pudessem continuar com suas rotinas. Em fevereiro deste ano, a empresa passou a pagar hospedagens em Belo Horizonte e em Nova Lima, mesmo para aqueles que queriam permanecer em Macacos”, lembra.
Também em nota, a Vale informa que até o momento, cerca de 36% dos rejeitos do reservatório da B3/B4 foram retirados e que o esvaziamento da barragem é a principal etapa do trabalho de eliminação da estrutura.
“A Vale reforça que as obras de descaracterização são complexas, com soluções customizadas para cada estrutura e estão sendo realizadas de forma cautelosa. A empresa reafirma seu compromisso de transparência e atuação focada na segurança das pessoas e do meio ambiente”, reforça.

