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Enquanto a UFMG contabiliza um déficit de quase mil servidores em função de perdas orçamentárias, outras universidades federais localizadas no interior de Minas Gerais também estão convivendo com problemas do tipo. A UFLA, em Lavras, anunciou na última semana que cortou 25% do quadro de funcionários terceirizados. Foram 148 colaboradores demitidos, dentro de um total de 600.

A instituição projeta um contingenciamento de R$ 10 milhões para o orçamento direcionado a atividades como manutenção e projetos de pesquisa e assistência estudantil em 2023. No projeto de Lei Orçamentária, o valor estimado é de R$ 58,6 milhões, que representa uma perda de 18,9% em relação a 2022. “Caso a Lei Orçamentária Anual seja aprovada pelo Congresso Nacional com esta projeção, a UFLA não terá condições de manter seu funcionamento integral no ano de 2023”, alerta.

Segundo a instituição, a partir de 2008 o número de estudantes triplicou. Entretanto, o efetivo de servidores técnicos administrativos aumentou apenas 1,7%. “É importante registrar que a relação Estudante/TAE passou de 13:1 para 23:1 entre 2007 e 2019, respectivamente, sendo que o mínimo para não comprometer a qualidade das atividades finalísticas é de 15:1”, informou a UFLA em nota.

Desde 2017, o número de bolsas de extensão na universidade reduziu mais da metade, saindo de 103, para 48 neste ano. “Os cortes no orçamento não comprometem somente a formação de recursos humanos, mas também a geração de conhecimento e tecnologia. Se a sociedade brasileira, por meio dos governantes, não reconhecerem essa importância, o país não terá futuro. Se quisermos ter universidades públicas, é imperativo que essas tenham financiamento adequado”, afirma o reitor da UFLA, professor João Chrysostomo de Resende Júnior.

Viçosa

Na Universidade Federal de Viçosa (UFV), um balanço aponta para 97 aposentadorias entre janeiro e maio deste ano. No entanto, deste total, 51 cargos foram extintos e 15 estão vedados para substituição. “Ou seja: 66 vagas não serão preenchidas novamente e as atividades relacionadas a elas tornaram-se novos desafios para a instituição. A projeção até 2026 mostra que 89% das aposentadorias na Universidade estarão nessas situações”, contabiliza.

O número de colaboradores terceirizados também caiu de 800 para 500, afetando áreas de limpeza, manutenção de infraestrutura e segurança. Até dezembro, a reitoria estima uma queda de 11,55% no orçamento, em relação a 2020. “No âmbito da UFV, teremos que paralisar nossas atividades antes do término do segundo semestre letivo, caso não haja suplementação orçamentária ao longo do ano de 2022”, finaliza a nota da instituição.

A previsão de receitas até dezembro também preocupa a reitoria da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Caso o corte de R$ 1,6 bilhão no orçamento das federais seja mantido, conforme anunciado pelo Ministério da Economia, a instituição afirma que vai “faltar dinheiro para pagar alguns compromissos de dezembro. Este corte de 7,2% no discricionário correspondente a R$ 9,56 milhões a menos para a Universidade Federal de Uberlândia.”

Audiência pública

Em função dos graves problemas financeiros e ameaça de paralisação de atividades, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) vai realizar, na próxima sexta-feira, audiência pública para debater a limitação financeira. Segundo um balanço feito pela instituição, os cortes no orçamento, entre 2016 e 2022, representam uma redução na ordem de 44% nos recursos recebidos.

Neste cenário, o déficit aproximado neste ano deve ser de R$ 26 milhões, se comparado aos gastos executados em 2019, antes da pandemia. “Com isso, foi aprovada a redução do quadro de terceirizados (auxiliares administrativos); dos valores das bolsas do Programa de Qualificação para servidores; de recursos destinados para material de consumo, serviços externos e para viagens e a suspensão imediata de 200 bolsas de treinamento profissional”, informou em nota.

 

 

 


Paola Tito

editor

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