O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou que considera a discussão sobre a escala de trabalho 6×1, em que se trabalha seis dias com um de descanso, uma “perda de tempo” e “desnecessária”. Para ele, o foco deveria ser em temas prioritários como a reforma administrativa e a redução de impostos. “Sou a favor da livre negociação entre empresa e trabalhador,” afirmou Zema, apontando que o Brasil já é um dos países com maior regulamentação trabalhista.

A declaração foi feita durante uma entrevista à rádio Itatiaia nesta terça-feira (12), enquanto Zema participava da 29ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-29), no Azerbaijão. A discussão sobre o modelo 6×1 surge com uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), liderada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que busca apoio para alterar o regime de folgas e criar escalas de trabalho mais flexíveis.

Zema afirmou que o regime de trabalho deveria ser negociado diretamente entre empregador e empregado, comparando a relação a um “casamento”, em que ambos aceitam os termos. “Se alguém foi contratado para folgar duas vezes por semana, ótimo. Se foi uma vez, e ambos concordaram, ótimo”, disse. Para ele, leis excessivas desnecessariamente envolvem o Congresso em temas que poderiam ser tratados de forma mais simples.

O movimento contra a escala 6×1 tem ganhado força com o apoio do vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ), do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que critica o modelo por impactar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. A proposta de Hilton sugere a substituição da escala 6×1 pela jornada de quatro dias, além de reduzir a carga semanal de 44 para 36 horas, visando mais tempo de descanso e lazer para os trabalhadores.

 

Foto: Aluísio Eduardo / Digital MG