Por Marco Aurélio Carone –

Em entrevista ao site da Folha de São Paulo, neste domingo (29), concedida à jornalista Carolina Linhares, o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) fez críticas ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), em uma tentativa de polarizar com o atual chefe do Executivo estadual e voltar aos holofotes políticos. Aécio, que já governou Minas e atualmente ocupa uma posição marginal no cenário nacional devido aos processos de corrupção que abalaram sua imagem, afirmou que Zema está “a anos-luz de compreender o que é governar Minas Gerais”. Contudo, a declaração reflete mais uma estratégia de autopromoção do que uma avaliação política legítima.

Aécio Neves, que viveu o auge de sua carreira ao quase vencer as eleições presidenciais de 2014, enfrenta uma dura realidade política desde então. Denúncias de corrupção, como o caso da JBS, e o golpe que ele ajudou a articular contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) destruíram sua reputação. Esse desgaste foi evidente na eleição de 2022, quando o ex-governador recebeu uma votação insignificante para deputado federal, sinalizando a rejeição tanto de eleitores quanto de seus pares no Congresso.

De acordo com matéria publicada pelo Novojornal, a atuação de Aécio na Câmara é discreta e marcada por constrangimento. Ele evita protagonismo nas votações, preferindo se posicionar em áreas menos iluminadas do plenário. Seu estigma de corrupto e o histórico de conspirações políticas o tornaram uma figura indesejável entre seus colegas parlamentares.

Aécio Neves governou Minas Gerais entre 2003 e 2010, período em que consolidou um modelo de gestão centralizador e marcado pelo uso de instituições estatais para perseguir adversários políticos. Durante sua gestão, houve o uso da Polícia Civil, de setores do Ministério Público e até do Judiciário mineiro para perseguir e prender críticos e opositores. Esse histórico contrasta fortemente com o governo de Romeu Zema, que, apesar das críticas, não é acusado de utilizar mecanismos de Estado para perseguir adversários.

Enquanto Zema é reconhecido por conduzir uma administração voltada para a austeridade fiscal e a execução de obras importantes em Minas Gerais, Aécio tenta desqualificar essa gestão. Suas declarações, contudo, parecem ter mais o objetivo de gerar polêmica e atrair atenção do que oferecer uma análise legítima. Ao atacar Zema, Aécio busca reaver a relevância política perdida, mas suas críticas têm pouca ou nenhuma ressonância junto ao eleitorado, que parece ter fechado as portas para sua liderança.

Em sua entrevista à Folha, Aécio declarou que o governo de Zema “não deixa nenhum legado” e que “no máximo vai deixar uma nota de rodapé na história de Minas”. Essa tentativa de desqualificação, no entanto, ignora os avanços obtidos pelo atual governo mineiro, como a recuperação fiscal do Estado, investimentos em infraestrutura e um modelo de governança que prioriza resultados.

Zema, ao contrário de Aécio, não possui um histórico de perseguições políticas nem denúncias de corrupção. Essa diferença fundamental entre os dois políticos reforça a percepção de que as críticas de Aécio são uma tentativa desesperada de desviar a atenção de seu próprio legado marcado por escândalos. Enquanto Zema é apontado como um possível candidato à Presidência em 2026, Aécio luta para manter alguma relevância no cenário político.

Aécio Neves tenta se posicionar como articulador do “centro político” para as eleições presidenciais de 2026. Ele defende a formação de uma alternativa que reúna forças opostas tanto ao PT quanto ao bolsonarismo, mas suas próprias credenciais para liderar esse movimento são frágeis. Sua imagem corroída pela corrupção e pela derrota política tornam difícil para ele exercer o papel de liderança que almeja.

Ao afirmar que “os ventos mudaram” e que é preciso “unificar forças do centro”, Aécio tenta reabilitar seu protagonismo, mas sua retórica esbarra em seu passado político e na falta de apoio popular. Mesmo dentro do PSDB, partido ao qual é historicamente ligado, ele enfrenta resistência, como demonstrado nas recentes eleições municipais, onde a legenda obteve resultados pífios.

Além de tentar polarizar com Zema, Aécio também criticou o ambiente da Câmara dos Deputados, descrevendo-o como “um local insalubre” onde há “pancadaria atrás de likes nas redes sociais”. No entanto, conforme relatado pelo Novojornal, o próprio Aécio evita o protagonismo no plenário, preferindo permanecer nas áreas mais escuras do espaço para evitar a exposição. Seu estigma de corrupto e a memória do golpe de 2016 o tornaram uma figura isolada e pouco respeitada entre os parlamentares.

As críticas de Aécio à Câmara e ao plenário refletem mais sua tentativa de projetar um discurso conciliatório do que um diagnóstico realista. Ele busca se posicionar como uma voz do “centro” em um ambiente político polarizado, mas sua trajetória recente dificulta a aceitação de sua narrativa.

Enquanto Aécio Neves é associado a escândalos e perseguições políticas, Romeu Zema tem se destacado por uma gestão focada em resultados concretos. Mesmo diante de críticas, o governo Zema é reconhecido por seu compromisso com a austeridade fiscal e por iniciativas que visam transformar Minas Gerais em um Estado mais eficiente e competitivo.

Aécio, por outro lado, parece incapaz de apresentar propostas concretas ou articular uma visão política que dialogue com o eleitorado. Suas declarações à Folha de São Paulo, em vez de fortalecerem sua posição, evidenciam seu distanciamento da realidade política e a dificuldade de reconstruir sua imagem pública.

As críticas de Aécio Neves a Romeu Zema, feitas durante entrevista à Folha de São Paulo, revelam mais sobre a fragilidade política do deputado do que sobre a administração do governador. Enquanto Zema trabalha para consolidar um legado de gestão eficiente em Minas Gerais, Aécio tenta recuperar relevância ao polemizar com adversários mais bem posicionados. Sua trajetória marcada por escândalos e seu isolamento político tornam suas críticas pouco influentes no debate público.

O contraste entre os dois políticos é evidente: enquanto Zema é reconhecido por sua gestão transparente e voltada para resultados, Aécio luta para se desvencilhar do passado e encontrar um espaço em um cenário político que parece não ter mais lugar para ele.

Foto: Divulgação Câmara Federal