A análise dos reajustes salariais de janeiro, registrados até 3 de fevereiro, revela um crescimento significativo no percentual de categorias que conquistaram aumentos reais. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 88,2% dos reajustes superaram a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). No último trimestre de 2024, esse percentual era de 75%.
O INPC, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e utilizado como referência em negociações salariais, teve alta de 0,48% em janeiro. A variação real média dos reajustes salariais ficou em 1,39% acima da inflação, superando a média do último trimestre de 2024. O principal fator para essa melhoria foi a valorização do salário mínimo, ocorrida no mesmo período, que resultou em um ganho real de 2,61% acima do INPC.
As categorias com data-base em janeiro costumam pagar salários próximos ao piso nacional e, portanto, são fortemente influenciadas pelo aumento do salário mínimo. Em todos os setores analisados, mais de 80% dos reajustes superaram a inflação. Destaque para o setor de serviços, onde 91,6% das negociações salariais resultaram em ganhos reais, seguido pelo setor rural, com 87,5%.
Apesar do desempenho positivo, observa-se que em quase todos os setores, com exceção dos serviços, entre 10% e 12% dos reajustes ficaram abaixo do INPC. O desempenho acumulado nos últimos 12 meses foi mais favorável do que o registrado em janeiro de 2025, exceto no setor de serviços, que apresentou melhor resultado no primeiro mês do ano.
Quanto à variação real média em janeiro de 2025, o setor rural teve aumento de 1,72% acima do INPC, enquanto no setor de serviços o valor foi de 1,61%. Ambas as categorias possuem salários próximos ao mínimo nacional, o que reforça a influência do reajuste do piso nas negociações coletivas.
Na comparação com os últimos 12 meses, os setores da indústria e do comércio apresentaram desempenhos ligeiramente inferiores em janeiro de 2025, enquanto os setores rurais e de serviços registraram avanços mais expressivos.
Foto: Bloomberg

