O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita oficial à Índia a convite do primeiro-ministro Narendra Modi, reuniu-se nesta quinta-feira com o presidente da França, Emmanuel Macron, e outros chefes de Estado e de governo. O encontro ocorreu à margem da Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Délhi, que reuniu lideranças políticas para discutir segurança, governança e cooperação internacional no uso da tecnologia.

Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula e Macron trataram de temas centrais da agenda bilateral, com destaque para a cooperação nas áreas de defesa, ciência e tecnologia e comércio. Ambos avaliaram que o intercâmbio comercial entre Brasil e França, que alcançou o patamar recorde de US$ 10,3 bilhões, ainda está abaixo do potencial das duas economias e pode ser ampliado com novos acordos e parcerias estratégicas.

Os dois presidentes também discutiram ações conjuntas de integração transfronteiriça e cooperação no combate ao narcotráfico, ao garimpo ilegal e a outras modalidades de crime transnacional na fronteira entre o estado do Amapá e a Guiana Francesa. O tema é considerado sensível para os dois países, tanto do ponto de vista da segurança quanto da preservação ambiental na região amazônica.

Além da pauta bilateral, Lula e Macron conversaram sobre questões da agenda global, incluindo paz, segurança internacional e os desafios associados ao avanço da inteligência artificial. Nesse contexto, o presidente francês convidou Lula a participar da próxima Cúpula do G7, marcada para os dias quinze e dezesseis de junho, na cidade de Evian, na França.

Durante a estadia em Nova Délhi, o presidente brasileiro também se reuniu com o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenković. No encontro, os dois líderes conversaram sobre a implementação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, considerado estratégico para o fortalecimento das relações econômicas entre os dois blocos.

Ao contrário de Macron, que se posiciona de forma crítica ao acordo, Lula e Plenković manifestaram expectativa de que o tratado entre em vigor o mais rapidamente possível. De acordo com nota oficial, ambos concordaram sobre a importância estratégica do instrumento em um contexto internacional marcado pelo recrudescimento do unilateralismo e do protecionismo comercial.

Após mais de vinte anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia foi assinado por representantes dos dois blocos em janeiro deste ano, em Assunção, no Paraguai. O tratado cria a maior zona de livre comércio do mundo e prevê a eliminação gradual de tarifas de importação para mais de noventa por cento do comércio bilateral, abrangendo bens industriais e produtos agrícolas.

Apesar de celebrado por setores industriais, o acordo enfrenta resistência de agricultores europeus, especialmente na França, que temem a concorrência de produtos sul-americanos. Protestos recentes indicam preocupação com a eliminação de tarifas alfandegárias e seus possíveis impactos sobre a produção agrícola local.

Mesmo após a assinatura formal, o acordo ainda precisa ser internalizado pelos congressos nacionais dos países do Mercosul e pelo Parlamento Europeu. No caso europeu, a eventual submissão do texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia pode atrasar o processo por até dois anos.

Em Nova Délhi, Lula também se reuniu com o presidente do Sri Lanka, Anura Kumara Dissanayake. Os dois líderes discutiram os cenários econômicos de seus países e concordaram sobre a necessidade de ampliar o comércio bilateral, que atingiu US$ 188 milhões em dois mil e vinte e cinco, abaixo do recorde registrado em dois mil e dezesseis. Lula convidou o presidente cingalês a visitar o Brasil em data a ser definida.

O presidente brasileiro desembarcou na capital indiana na quarta-feira e cumpre uma agenda intensa. Além da cúpula sobre inteligência artificial, participa de um fórum empresarial e realiza visita de Estado a convite de Narendra Modi, com previsão de assinatura de acordos. Lula permanece em Nova Délhi até sábado e, em seguida, segue para Seul, onde se reunirá com o presidente sul-coreano Lee Jae Myung e executivos de grandes empresas.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


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