A Associação de Servidores da Controladoria-Geral da União defendeu o fortalecimento institucional do órgão após as conclusões da CPMI do INSS, que investigou irregularidades em benefícios previdenciários. Para a entidade, o cenário apontado pelos trabalhos da comissão evidencia a necessidade de recomposição da estrutura, valorização da carreira e ampliação de garantias institucionais.

O relatório final apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar, embora rejeitado, destacou que a CGU acumulou funções ao longo dos anos sem a correspondente ampliação de recursos humanos e institucionais. Entre as recomendações, está o envio de um projeto de lei para sistematizar as competências do órgão, buscando maior clareza e eficiência em sua atuação.

Segundo a associação, o documento da comissão revela um quadro preocupante. Apesar da reconhecida capacidade técnica dos servidores, há sinais de fragilização institucional que podem comprometer o desempenho do controle interno no âmbito do Poder Executivo. A entidade aponta que a fragmentação das normas e a ausência de garantias mais robustas reduzem a efetividade das ações da CGU.

O tema ganhou relevância após a atuação do órgão em investigações recentes. Foi a partir de auditorias da Controladoria que surgiram indícios que deram origem à Operação Sem Desconto, responsável por revelar um esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social. O caso trouxe à tona a importância do trabalho de fiscalização e controle exercido pela CGU.

Em resposta às críticas, a Controladoria afirmou, por meio de nota, que os resultados recentes demonstram a solidez da instituição. O órgão destacou que mantém capacidade operacional preservada e que vem ampliando sua atuação em diferentes áreas estratégicas.

De acordo com a CGU, auditorias realizadas em 2025 geraram benefícios financeiros de cerca de R$ 40 bilhões, o maior valor já registrado. O ministério também informou que houve crescimento no número de operações especiais, com expansão para setores como previdência e mineração, indicando maior alcance das ações de fiscalização.

Outro ponto destacado pela Controladoria é a recomposição orçamentária nos últimos anos. Segundo o órgão, a dotação de 2025 está entre as maiores desde 2014, o que tem permitido a continuidade das atividades e o fortalecimento gradual da estrutura institucional. Além disso, foi formalizado pedido para retomada de concursos públicos junto ao Ministério da Gestão e Inovação, com o objetivo de ampliar o quadro de servidores.

Apesar dos avanços apresentados, a associação de servidores sustenta que ainda há desafios estruturais a serem enfrentados. Para a entidade, o fortalecimento da CGU é essencial para garantir a transparência, prevenir irregularidades e assegurar maior eficiência na gestão pública federal.

A discussão sobre o papel do órgão deve seguir no Congresso Nacional, especialmente diante das recomendações apontadas pela comissão parlamentar, que reforçam a necessidade de aprimoramento do sistema de controle interno no país.

Foto: Arquivo/Agência Brasil


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