A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, aparece na liderança da disputa ao Senado em Minas Gerais, segundo levantamento Genial/Quaest divulgado nesta terça-feira. No principal cenário testado, a petista soma 19% das intenções de voto, à frente do deputado federal Aécio Neves, que registra 11%, e do senador Carlos Viana, com 10%. O quadro revela uma corrida aberta, com elevado índice de indecisos e expressivo percentual de eleitores que declaram voto branco, nulo ou intenção de não votar.

Os dados indicam vantagem inicial para Marília, que é, até o momento, o único nome confirmado no campo alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa senatorial em Minas. Aécio, embora ainda sem definição oficial sobre sua candidatura, aparece como segundo colocado e mantém competitividade em um cenário fragmentado. O ex-deputado Marcelo Aro surge com 9%, enquanto o deputado federal Domingos Sávio soma 8%, em situação de empate técnico dentro da margem de erro.

Na sequência, aparecem Áurea Carolina, com 6%, e Vanessa Portugal, com 3%. O ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares registra 1%. A pesquisa mostra ainda 13% de indecisos e 20% de eleitores que afirmam votar em branco, anular ou se abster.

No cenário em que Aécio não disputa, Marília aparece com 17%, tecnicamente empatada com Carlos Viana, que sobe para 15%. O desempenho reforça a competitividade do senador e aponta rearranjo relevante em caso de ausência do tucano. Domingos Sávio permanece com 8%, enquanto Marcelo Aro recua para 4%.

O levantamento foi realizado entre 22 e 26 de abril, com 1.482 entrevistados em 69 municípios mineiros. A margem de erro é de três pontos percentuais, com 95% de nível de confiança.

Além dos números, o cenário político ganhou novo componente com a sinalização de Marília sobre eventual composição com o PSDB. Ao admitir possibilidade de aliança com Aécio, a petista indicou flexibilidade para a montagem da chapa majoritária em Minas. A movimentação está conectada ao esforço para consolidar um palanque robusto ao redor do senador Rodrigo Pacheco, nome incentivado por Lula para concorrer ao governo estadual.

A hipótese de aproximação entre petistas e tucanos ocorre em meio a rearranjos mais amplos. Pacheco, embora ainda não tenha confirmado candidatura, permanece como peça central das articulações do campo governista, especialmente após migrar para o PSB.

Na disputa pelo Palácio Tiradentes, a pesquisa também mostra liderança do senador Cleitinho em todos os cenários testados. No quadro mais amplo de primeiro turno, ele aparece com 30%, seguido do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, com 14%. Rodrigo Pacheco surge com 8%.

O governador Mateus Simões aparece com apenas 4%, empatado com Ben Mendes. O desempenho do atual governador reflete, segundo a pesquisa, um ambiente mais difícil para a continuidade do grupo político ligado a Romeu Zema.

Em cenário sem Cleitinho, Kalil assume a liderança com 18%, seguido por Pacheco com 12%. Simões registra 5%, abaixo inclusive de Ben Mendes, que soma 6%.

Nos cenários de segundo turno, Cleitinho amplia a vantagem sobre todos os adversários. Contra Mateus Simões, marca 46% contra 13%. Diante de Rodrigo Pacheco, aparece com 43%, enquanto o senador tem 23%. Contra Kalil, alcança 48%, frente a 26% do ex-prefeito.

A menor distância observada para Cleitinho é justamente diante de Pacheco, o que tem sido lido por aliados do governo federal como indicativo de potencial competitivo do senador caso confirme candidatura.

Em uma simulação sem Cleitinho no segundo turno, Pacheco venceria Mateus Simões por 30% a 17%. Já em eventual confronto entre Kalil e Simões, o governador reverteria o cenário e apareceria com 28%, ante 18% do ex-prefeito.

Os números reforçam um ambiente ainda indefinido, mas apontam dificuldades para o campo governista estadual herdar automaticamente o capital político de Zema. Para 44% dos entrevistados, o próximo governador deveria mudar totalmente os rumos da administração mineira. Apenas 13% defendem continuidade integral.

Também chama atenção o dado sobre sucessão: 49% avaliam que Zema não merece eleger um sucessor, enquanto 42% entendem que o ex-governador deveria ter esse direito político. A inversão em relação a levantamentos anteriores amplia o desafio para o grupo hoje no poder.

Na corrida ao Senado, a liderança de Marília Campos e a presença competitiva de Aécio Neves indicam que a disputa mineira tende a ser marcada por rearranjos partidários e negociações amplas. Com duas vagas em jogo e indefinições relevantes sobre candidaturas, o quadro permanece aberto.

A depender das alianças e das decisões de nomes centrais como Pacheco, Cleitinho e o próprio Aécio, Minas pode se transformar em um dos principais laboratórios eleitorais do país em 2026, tanto para a composição do Senado quanto para a disputa pelo governo estadual. O levantamento sugere, por ora, vantagem para nomes de oposição ou independentes ao atual grupo governante, enquanto o campo aliado ao Planalto busca consolidar sua estratégia.

Com alto percentual de indecisos e grande volume de votos brancos e nulos em quase todos os cenários, a pesquisa também revela que boa parte do eleitorado mineiro ainda não cristalizou preferência. Isso abre espaço para mudanças ao longo da campanha, sobretudo diante de composições partidárias ainda em negociação e da possibilidade de candidaturas que sequer foram oficializadas.

Nesse contexto, a liderança de Marília no Senado e o favoritismo de Cleitinho ao governo configuram, até agora, as principais referências do tabuleiro político mineiro. Mas o próprio volume de incertezas captado pelo levantamento indica que o cenário segue em construção e sujeito a reacomodações relevantes nos próximos meses.

Foto: Janine Moraes/PMC


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