Além das conversas com setores do agronegócio e do catolicismo conservador, o PT escalará o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), virtual vice de Lula, para fazer pontes com os militares. Alckmin tem relações com militares da reserva e da ativa de São Paulo.

Ex-ministros da Defesa, Jaques Wagner e Nelson Jobim também possuem contatos com militares. Lula, porém, tem ressaltado que essas conversas não devem tratar os militares como tutores da vida civil, mas como uma força de estado submetida à Constituição.

Ressurreição de políticas públicas O PT despachou mais emissários para falar com o mercado. O ex-governador Wellington Dias e o ex-ministro Guido Mantega fizeram movimentos nesse sentido. Na economia, o plano de Lula está claro: recuperar políticas públicas de distribuição de renda, ressuscitando o Bolsa Família nos moldes dos governos petistas.

Ele também pretende fazer um grande plano de investimentos em infraestrutura a fim de gerar empregos. Lula aumentará dívida pública na largada para estimular o crescimento da economia. Diz que, com um PIB (Produto Interno Bruto) maior, a dívida fica menor proporcionalmente. “A saída é crescer”, tem afirmado.

O teto de gastos, já furado no governo Bolsonaro, acabará numa eventual gestão petista. Lula quer recuperar gastos em educação. No PT, há o diagnóstico de que a pandemia mais os desastrosos ministros de Bolsonaro no MEC agravaram a crise da educação no Brasil. Vai dar trabalho consertar os danos.

Fazenda e Planejamento

Em relação à economia, se eleito, Lula recriará as pastas da Fazenda e do Planejamento. Para o Ministério da Fazenda, ele pretende repetir a fórmula de 2002, quando optou por um político, Antonio Palocci Filho. Um ex-governador de Estado com histórico de responsabilidade fiscal é o perfil aventado hoje, mas ainda não há um nome definido.

Dor de cotovelo

Pegou mal no PT Guido Mantega ter dito que o Banco Central de Bolsonaro é melhor do que as formações nos governos do partido. No fundo, trata-se da velha rixa de Mantega com Henrique Meirelles, que Lula colocou na presidência do Banco Central. O ex-presidente Lula avalia que Meirelles foi fundamental, sobretudo no primeiro mandato.

Lula, inclusive, indicou Meirelles para ser ministro da Fazenda de Dilma, porque achava que era necessário um contraponto conservador na equipe econômica. Dilma não ouviu e deu no que deu. Mantega é um dos responsáveis pelos grandes erros de Dilma na economia. E Lula sabe disso.