Em um tempo dominado pela velocidade, pelas telas e pelo excesso de imagens digitais, a artista plástica brasileira e luxemburquesa Joanna Scharlé de Vasconcelos escolhe um caminho que exige silêncio, concentração e sensibilidade, está mostrando a sua arte criativa e diversificada na Galeria de Arte da Biblioteca Padre Alberto Antoniazzi, no Campus Coração Eucarístico da PUC, na avenida Dom Gaspar, 500 – Prédio 26,Belo Horizonte ,vai até o dia a 28 de setembro de 2026, de segunda a sexta-feira de 08 h às 21h, Sábado: 08h às 12h. Em sua exposição “Nanquim e Aquarela – A Herança de Guignard”, o bico de pena, a tinta sobre o papel e a transparência da aquarela tornam-se instrumentos para revelar uma arte delicada, intensa e profundamente ligada à expressão humana.

A proposta da mostra é resgatar a força e a beleza de uma linguagem artística que parece cada vez mais rara nos dias atuais.

No trabalho com o nanquim, cada linha é definitiva. Não há espaço para apagar, corrigir ou esconder o gesto. O traço precisa nascer seguro, permitindo que a mão da artista estabeleça um diálogo íntimo entre o preto e o branco, entre a densidade da tinta e a leveza da cor.

Essa escolha transforma o ato de desenhar em uma experiência de entrega. Cada linha carrega intenção e personalidade, enquanto a aquarela acrescenta transparência, luminosidade e movimento às composições.

Alberto da Veiga Guignard, nasceu em Nova Friburgo(RJ) em 1896, e morreu em1962, foi um dos mais importantes pintores e professores do modernismo brasileiro. Ele ficou internacionalmente conhecido por suas representações líricas e poéticas das paisagens mineiras, repletas de montanhas nubladas, balões de São João e igrejas coloniais suspensas na névoa. Viveu na Europa dos 11 aos 33 anos. Estudou na prestigiada Real Academia de Belas Artes de Munique. Retornou ao Brasil em 1929, integrando-se rapidamente ao movimento modernista nacional.

Em 1944, a convite do então prefeito Juscelino Kubitschek, mudou-se para Belo Horizonte. Lá, liderou um curso livre de artes que originou a famosa Escola Guignard, um dos maiores marcos no ensino artístico do país. A exposição estabelece uma ligação especial com o legado de Alberto da Veiga Guignard, um dos grandes nomes da arte brasileira e referência fundamental da tradição modernista mineira.

A artes de Joanna Scharlé, essa herança está presente não apenas como uma influência artística, mas como uma maneira de compreender o desenho, a aquarela e a própria figura humana.

Joanna foi formada sob a orientação de Solange Botelho, discípula direta de Guignard, e também realizou pós-graduação na instituição que leva o nome do mestre. Essa formação permitiu que a artista se aproximasse de uma tradição que valoriza o desenho como elemento essencial da expressão artística.

Registro da exposição: Exposição “Alegria de criar”, com Solange Botelho e artistas convidados. Instituto Cultural Brasil estados unidos – ICBEU. Belo Horizonte, Minas Gerais, em 2004, Joanna Sharlé era uma das artistas convidadas.

Entretanto, sua produção não se limita a repetir uma escola ou reproduzir uma tradição. Joanna absorve essa herança e a transforma a partir de seu próprio olhar, construindo uma linguagem contemporânea marcada pela precisão técnica, pela expressividade e pela investigação das emoções humanas.

É justamente nesse encontro entre tradição e contemporaneidade que a exposição encontra sua identidade.

O nanquim e a aquarela – Os rostos ocupam um lugar especial na produção apresentada por Joanna Scharlé.

Alguns aparecem fortes, densos e marcados pelo preto intenso do nanquim. Outros surgem mais leves, fluidos e luminosos, envoltos pela transparência da aquarela.

O contraste entre essas duas técnicas cria uma atmosfera singular.

De um lado, a intensidade do preto. De outro, a delicadeza da cor.

De um lado, a firmeza do traço. De outro, a liberdade da aquarela.

É nesse diálogo que Joanna procura chegar à essência de seus personagens.

Seus trabalhos não pretendem simplesmente copiar ou reproduzir a realidade. Os rostos e as formas são reinterpretados pela sensibilidade da artista e transformados em imagens que carregam sentimentos, silêncios e diferentes possibilidades de leitura.

Há, em cada obra, uma busca por aquilo que existe além da aparência.

A artista plástica, Joanna Scharlé com seus trabalhos no espaço cultural da PUC Minas

Fotos: divulgação

A artista plástica, Joanna Scharlé

ARTE QUE CONVIDA A DESACELERAR – Visitar a exposição é também aceitar um convite para diminuir o ritmo.

Em meio à rotina acelerada e à quantidade cada vez maior de imagens que recebemos diariamente, as obras de Joanna Scharlé pedem um olhar mais demorado.

É preciso observar o traço.

Perceber a delicadeza da aquarela.

Sentir a força do nanquim.

Descobrir os pequenos detalhes.

E permitir que as emoções presentes em cada trabalho sejam percebidas pouco a pouco.

A mostra convida o público a contemplar a sensibilidade e a densidade que habitam o mistério de cada obra e a descobrir as diferentes nuances emocionais que vibram nos trabalhos da artista.
Mais do que simplesmente olhar, o visitante é convidado a sentir.

A proposta de “Nanquim e Aquarela – A Herança de Guignard” ultrapassa a apresentação das obras e amplia o diálogo entre arte e desenvolvimento emocional.

Durante a exposição, serão realizadas duas atividades de Arteterapia especialmente destinadas a crianças e jovens.

Joanna Scharlé, além de sua trajetória nas artes plásticas, é pós-graduada em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e atua em Arteterapia. Nas atividades, conduzirá práticas que unem o gesto artístico ao cuidado emocional, criando oportunidades para que crianças e jovens possam utilizar a expressão artística como forma de comunicação e manifestação de sentimentos.

A proposta aproxima a criação artística da experiência emocional, valorizando a criatividade e a liberdade de expressão.

Atividades de Arteterapia de Joanna Scharlé

A artista plástica, Joanna Scharlé e Mariana Franco, psicóloga

Durante a exposição, serão realizadas duas atividades de Arteterapia voltada especialmente para crianças e jovens. Joanna Scharlé, pós graduada em TerapiaCognitivo Comportamental (TCC) e atuante em Arteterapia, conduzirá práticas que unem o gesto artístico ao cuidado emocional.

As atividades contarão também com a participação da psicóloga Mariana Franco (CRP 04/74946).

Sua atuação está baseada na abordagem cognitiva inspirada na análise de Judith Beck, contribuindo para fortalecer o olhar clínico e o suporte emocional oferecido aos participantes.

A presença da psicóloga acrescenta uma dimensão importante às atividades, estabelecendo uma ponte cuidadosa entre a experiência artística e o acolhimento emocional de crianças e jovens.

Dessa forma, a exposição amplia seu alcance e demonstra como a arte pode ser também um espaço de expressão, reflexão e cuidado.

A psicóloga Mariana Franco e a artista plástica, Joanna Scharlé

Atividades de da psicóloga Mariana Franco

“Nanquim e Aquarela – A Herança de Guignard” é, portanto, uma exposição que reúne técnica, tradição, contemporaneidade e emoção.

Nas mãos de Joanna Scharlé, o nanquim deixa de ser apenas tinta sobre o papel. O traço transforma-se em linguagem. A aquarela deixa de ser apenas cor e passa a funcionar como respiração, luz e movimento.

Os rostos apresentados pela artista parecem guardar histórias que não são contadas de maneira explícita. Cabe ao visitante estabelecer sua própria relação com cada imagem e descobrir, em meio às linhas e às transparências, aquilo que mais o toca.

É uma mostra que valoriza o tempo do olhar em uma sociedade acostumada à velocidade.

Uma oportunidade para entrar em contato com uma arte que preserva a tradição do desenho e, ao mesmo tempo, encontra novas possibilidades de expressão.

UM CONVITE À SENSIBILIDADE – Para quem visitar a exposição, fica o convite: desacelere.

Deixe por alguns instantes o mundo lá fora.

Observe cada rosto.

Acompanhe cada linha.

Perceba os espaços vazios, as sombras, as transparências e as cores.

Permita-se descobrir o que existe por trás de cada obra.

Talvez a maior riqueza do trabalho de Joanna Scharlé esteja justamente nessa possibilidade: diante de seus desenhos e aquarelas, o espectador não encontra apenas aquilo que a artista criou, mas também espaço para suas próprias emoções, memórias e interpretações.

“Nanquim e Aquarela – A Herança de Guignard” é um encontro entre a tradição e o presente, entre a precisão do traço e a liberdade da cor, entre a arte e a emoção.

Uma exposição para olhar com calma.

Para sentir.

Para refletir.

E, sobretudo, para deixar que a arte nos lembre de algo que a vida contemporânea muitas vezes nos faz esquecer: a beleza também mora naquilo que exige tempo para ser contemplado.

Joanna Scharlé e Cristina Pereira, secretária da administração da Biblioteca da Puc Minas

A artista plástica, Joanna Scharlé e a psicóloga

Mariana Franco

A exposição vai o dia 28 de setembro, na PUB Minas, em Belo Horizonte, uma excelente mostra da arte da modernidade de Joanna Scharlé, com suas criações de diversas formas cores nas telas.

Coluna Minas Turismo Gerais

Jornalista Sérgio Moreira @sergiomoreira63

Informação para a coluna enviar para [email protected]


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